Zapatero destaca papel de Amorim

Zapatero destaca papel de Amorim

Ex-premier espanhol pensa que Lula de novo em cena relança processo de integração na América Latina

Ao saber que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinha conseguido anular no Supremo Tribunal Federal (STF) suas condenações pela Lava-Jato, o ex-premier da Espanha José Luis Zapatero, entrou em contato com o Brasil. Não falou com Lula, mas sim com o exchanceler Celso Amorim. “Ele é o chanceler de todos nós, uma referência. Continua exercendo um papel fundamental na resiliência da política como instrumento de integração entre os países”, afirmou.

Tanto Lula quanto Zapatero são integrantes do “grupo de Puebla”, um bloco que reúne políticos de esquerda que tiveram protagonismo em passado recente. Celso Amorim, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o ex-senador Aloizio Mercadante são alguns dos articuladores do colegiado que está à frente da mobilização em defesa de Lula no cenário internacional. No poder atualmente, só o presidente da Argentina, Alberto Fernandez. Não por acaso, ativo nas redes sociais a favor do ex-presidente brasileiro.

Para Zapatero, o retorno de Lula a um plano político maior catalisa um processo de integração entre dirigentes latino-americanos que ficou paralisado desde a sua saída de cena. “O preço foi altíssimo. A América Latina não tem condições de resolver situações conflitivas pela via pacífica sem a presença forte do Brasil. Não há de ser a Noruega que vai mediar um conflito entre Colômbia e Venezuela, por exemplo”, disse.

A desarticulação na América Latina, em sua opinião, tornou-se mais pronunciada durante a pandemia. “Vemos todo um esforço em diversos continentes e em organismos multilaterais para elaborar planos conjuntos de recuperação. O que existe na América Latina? nada”, afirmou.

O presidente Jair Bolsonaro, na opinião de Zapatero, representa tanto no plano doméstico quanto no internacional a antipolítica. “Quando a antipolítica está no poder, como foi o caso dos Estados Unidos durante o governo Trump, não há perspectiva de diálogo entre os países”. Para Zapatero, “em tempos de populismo é mais do que importante reafirmar os princípios da civilidade política”.

No grupo de Puebla não há representantes da Venezuela, mas Zapatero acredita que o aumento de protagonismo de Lula pode provocar futuramente uma inflexão em relação ao governo de Nicolás Maduro. “Sanções lá não funcionam e a experiência de se reconhecer como presidente Juan Guaidó não deve ser repetida”, acredita.

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