Volta de Eduardo Pazuello ao governo é recado de Bolsonaro ao Exército

Volta de Eduardo Pazuello ao governo é recado de Bolsonaro ao Exército

14:00 - Novo cargo não impede que o general seja penalizado por participar de ato político com Bolsonaro no Rio, segundo fontes militares.

A volta do ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, ao governo foi uma decisão pessoal do presidente Jair Bolsonaro. No Palácio do Planalto, a nomeação do militar como secretário de Estudos Estratégicos foi entendida como um recado ao Exército de que Pazuello, ameaçado de punição pela Força por participar de um ato pró-Bolsonaro, tem o seu respaldo da Presidência.

O novo cargo, contudo, não impede que o general seja penalizado, segundo fontes militares. Ao subir em um palanque durante manifestação bolsonarista no Rio e, 23 de maior, Pazuello estava lotado na Secretaria-Geral do Exército. Agora, a volta ao Executivo pode evitar futuras cobranças ao general por comparecer ao lado de Bolsonaro em atos políticos.

Pazuello comandará a secretario de Estudos Estratégicos da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos (SAE), órgão vinculado à Presidência da República. A SAE é comandada pelo almirante Flávio Rocha. Pazuello deverá receber um salário de R$ 16.944,90.

Na tarde desta terça, após a nomeação ser publicada no Diário Oficial da União, Bolsonaro, em evento no Ministério da Saúde, fez afagos a Pazuello. O militar está em alta no governo, principalmente, após blindar o presidente em seu depoimento na CPI da Covid. O ex-ministro, no entanto, foi reconvocado para prestar novos esclarecimentos.

— Eu pediria também que aplaudissem também o ex-ministro Pazuello, (que era ministro) quando começou esse contrato — afirmou Bolsonaro durante evento de assinatura de acordo de transferência de tecnologia para produção de insumos no Brasil para vacina Oxford/AstraZeneca.

O comandante do Exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, tem até a próxima segunda-feira para se manifestar sobre o comportamento de Pazuello, que é alvo de um procedimento administrativo. O prazo pode ser prorrogado por mais 30 dias, mas na Força a expectativa é que o caso seja encerrado o mais breve possível.

Na semana passada, Pazuello apresentou sua justificativa por ter ido ao ato. O general, segundo interlocutores, teria alegado que a manifestação não era um evento político-partidário e que não há campanha no país. O mesmo argumento foi usado por Bolsonaro em sua live semanal, que já sinalizou que não quer ver o ex-ministro punido.

Se comprovada a transgressão, no entanto, Pazuello poderá ser punido com advertência, repreensão, detenção ou prisão disciplinar. De acordo com fontes militares, o general deverá receber uma sanção mais leve para evitar um tensionamento com o Palácio do Planalto.

Desde que assumiu o Ministério da Saúde no ano passado, existe uma pressão para que Pazuello passe para a reserva remunerada. Ele, no entanto, tem resistido. Apesar do mal-estar entre oficiais, somente o general pode pedir para deixar a ativa. Pazuello só passa para a reserva automaticamente em março de 2022, quando termina o tempo dele de permanência no posto de general.

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