Volatilidade volta a crescer em moedas de países emergentes

Volatilidade volta a crescer em moedas de países emergentes

Nem Wall Street nas máximas históricas, nem a alta das commodities, nem o suporte da China ao yuan. Nenhum desses fatores conseguiu impedir que os mercados emergentes voltassem a sofrer ontem com renovadas ondas de vendas. As ações tiveram performances aquém das de mercados ricos, mas, de novo, foram as moedas que exibiram quedas mais fortes, com a América Latina liderando as perdas.

O movimento do câmbio emergente é reflexo da crescente incerteza do investidor com relação ao cenário de médio e curto prazo para essa classe de ativos, num momento em que os Estados Unidos caminham para elevar mais os juros, reduzindo a atratividade das aplicações em mercados mais arriscados.

A percepção de risco fica evidente na volatilidade prevista para os próximos meses. E se, em termos absolutos, o grau de incerteza está nas máximas em quase dois anos, a comparação com a volatilidade das moedas do G-10 expõe um receio ainda maior. O spread entre as taxas de volatilidade implícita para moedas emergentes e cio G-10 superou neste mês de agosto 5,11 pontos percentuais. É o maior nível desde novembro de 2008, quando o mundo vivia as profundezas da crise financeira global, a maior desde a Grande Depressão cie 1929. Os dados são do Barclays.

Ontem, lira turca (-1,7%), peso argentino (-1,7%), peso colombiano (-1,6%), peso mexicano (-1,5%) e real brasileiro (-1,4%) lideraram as perdas globais, considerando uma lista de 33 pares do clólar. Apenas em clois dias, a lira, epicentro cio terremoto que sacodiu os mercados nas últimas semanas, já perdeu 4,2%.

`Mas mesmo que os problemas na Turquia estejam catalisando as perdas dos emergentes, outros países possuem vulnerabilidades similares`, diz Kathy Jones, da corretora americana Charles Schwab, que não descarta contágio. `As moedas do Brasil e cia África do Sul já vêm caindo forte, o que pode fazer com que os investidores intensifiquem mais a fuga dos emergentes como um todo`, acrescenta.

Sobre a América Latina, região com quatro das cinco moedas com pior desempenho ontem, o BofA Merrill Lynch diz que, além cias questões externas, temas locais têm exercido pressão extra sobre o câmbio. `As eleições presidenciais no Brasil, a transição política no México e escândalos cie corrupção na Argentina devem manter a incerteza elevada`, afirma Cláudio Irigoyen, estrategista de câmbio para a região.

Em emergentes como um todo, o BofA considera que não existe um problema de `sobrevalorização`, mas que isso não necessariamente indica que as moedas tendem automaticamente a se apreciar. O posicionamento em bônus, por outro lado, segue indicando apostas `acima cia média do mercado` para essa classe de ativos, com base em dados dos fundos referenciados no índice global de bônus emergentes. No câmbio, os fundos estão `neutros`, patamar próximo do qual estão as alocações em ações.

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