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Visita-surpresa de chanceler do Irã ofusca encontro de líderes do G7

Visita-surpresa de chanceler do Irã ofusca encontro de líderes do G7

Chegada de ministro a Biarritz monopoliza a atenção do fórum e causa tensão entre EUA e França

Um lance de teatro. A imagem se espalhou rapidamente na midia francesa, no domingo (25), para descrever a visita-surpresa cio chanceler do Irã a Biarritz (sudoeste da França), onde acontece a cúpula anual do G7 (grupo de nações ricas). Fontes diplomáticas do país anfitrião salientaram que se tratava de uma agenda com o ministro francês das Relações Exteriores, às margens do encontro. Isso, porém, não impediua passagem-relâmpago deMohammad Javaf Zarif pelo balneário de ofuscar o convescote de lideres.

Desde sábado (24), eles discutem, entre outros temas, a ressuscitação do acordo de 2015 sobre o programa nuclear iraniano, que definha desde a decisão de Donald Trump, no ano passado, de retirar os EUA de suas provisões. No jantar de abertura da cúpula, no sábado, e em uma sessão de trabalho no domingo, o assunto foi abordado extensivamente. França, Alemanha e Reino Unido tentam há meses salvar o pacto, que previa a suspensão gradual de sanções a Teerã em troca do compromisso das autoridades persas de reduzir a produção de energia nuclear.

O objetivo da trinca de países é desenhar um mecanismo de compensação financeira ao Irã pelas sanções impostas por Washington, que afetam sobretudo as exportações de petróleo, carro-chefe das vendas ao exterior. Na verdade, nenhuma das potências ocidentais está plenamente satisfeita com o acordo de quatro anos atrás, que não inclui medidas para conter o ímpeto expansionista do Irã com braços do lêmen, na Síria e no Líbano nem cobre o programa demísseis balísticos de Teerã. Onde há divergência ê em como `consertar` o pacto. Os europeus querem editar ou. fazer adendos ao documento que já existe, enquanto Trump prefere descartá-lo integralmente eredigir outro texto.

Zarif foi convocado a Biarritz depois que França, EUA, Canadá, Japão, Reino Unido, Itália e Alemanha fecharam posição sobre dois pontos: a necessidade de evitar que o Irã desenvolva a bomba atômica e a urgência de distender a relação Ocidente-Teerã para evitar que a rixa com Washington degenere para um conflito armado. A aparente sintonia quase desandou na manhã de domingo, quando o presiden te francês, Emmanuel Macron, deu a entender que tinliaum `recadocoletivo` a levar ao governo iraniano, em nome do G7. Trump rapidamente rechaçou a idéia de que os participantes tivessem dado ao anfitrião um mandato para tratar com o Irã.

Macron então recuou, lembrando o caráter informal do G7, um fórum de discussão sem poder executivo. No começo da noite, após encontros com seu homólogo francês (Jean-YvesLe Drian) e com Macron, alé m d e assess ores britânic os e alemães, Zarif escreveu em uma rede social que `o caminho adiante é difícil, mas vale a pena tentar`. Fontes francesas classificaram as reuniões como produtivas e informaram que as conversas com o Irã sobre o acordo vão continuar.

Nãohouve anúncios concretos por ora. Segundo a agência Reuters, em uma lógica de relaxamento das sanções para a retomada das conversas cornos EUA, os iranianos querem poder exportar mais petróleo. Teerã também não aceita incluir seu programa de mísseis balístico sem qualquer barganha. Líder do esforço de salvamento do pacto de 2015, Macron exige que olrã voltea seguir o que está fixado ali.

Em julho, o pais ultrapassou o limite de enriquecimento de urânio citado no documento. Outro enredo que teve desdobramentos em Biarritz neste fim de semana foi o da possível volta da Rússia ao fórum de países ricos. O país foi suspenso em 2014, após a invasão da Ucrânia e anexara Crüneía. Desde a cúpula do ano passado, no Canadá, Trump faz lobby pelo regresso de Vladimir Putin ao clube. No sábado, insistiu assertivamente no pleito, segundo relatos, mas todos os outros líderes, com a exceção do premiê italiano, Giuseppe Conte, disseram que não era hora de a Rússia ser reintegrada. Trump agora deve ter nova chance de fazê-lo em 2020, como anfitrião da cúpula.

Talita Fernandes / Brasilia

O governo de Jaír Bolsonaro comemorou o resultado até agora da reunião do G7. Na visão do Palácio do Planalto, o presidente francês, Emmanuel Macron, ficou isolado na tentativa de usai´ as quei madas da Amazônia como justificativa para impediro acordo comercial entre Mercosul e União Européia. Embora líderes europeus endossem as críticas feitas por Macron à política ambi ental de Bolsonaro, eles não concordaram em usar o tratado como instrumento de punição ao Brasil. Aliados do presidente avaliam como fundamental o fa to de o Brasil ter conseguido apoio público de outrospaíses como Chile e Espanha, convidados a participar do G 7.

Além disso, celebraram a manifestação pública do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, q ue integra o fórum. O posicionamento da chanceler alemã, Angela Merkel, também foi considerado essenciaL Ela foi a prime ira a discordar da declaração de Macron de que a situação ambiental brasileira seria impeditivo para continuidade do acordo comercial firmado em junho pelos doisblocos. A chanceler alem ã foi apoiada pelo premiê britânico, Borisjohnson, e pela Espanha.

A visão do Palácio do Planalto e de integrantes da diplomacia brasileira é de que o pior da crise já passou e que a enxurrada de críticas internacionais à política ambiental brasileira deve diminuir. Navisãodediplomatasque conversaram com a reportagem, o tema da Amazônia perdeu força no noticiário internacional deste domingo, quando as discussões sobre a situação do Irá cresceram. ´Agente achaque vaiprevalecerobom senso e a verdade. Aquela postura que Macron começou é equivocada, tanto que não foi apoiada pelos outros chefes de Estado`, disse o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, â Folha. Sua visão foi compartilhada pelo chefe da Secretaria de Governo, Luiz Ramos, que esteve com Bolsonaro neste domingo no Palácio da Alvorada.

Ao deixar o encontro, Ramos disse à Folha que a avaliação do Planalto ê de que as Forças Armadas ajudaram a controlar os incêndios e a imagem brasileira no exterior. `A leitura, para ele e para mim, ê de que a tentativa do Macron de usar isso é, na realidade, porque os maiores competidoresdo nosso agronegócio estão na França`, disse Ramos. `Ele tentou e não colou. Angela Merkel não comprou a idéia. Trump puxou a orelha`, disse. `A tentativa de Macron não funcionou` Boris Johnson ameaça não pagar´multa rescisória´ com UE 0 premiê britânico, Boris Johnson, disse neste domingo (25) durante a cúpula do G7 que, se o Reino Unido deixar a União Européia (UE) sem acordo, não pagará a `multa rescisória` de 39 bilhões de libras (RJ 198 bilhões).

Desde que assumiu a chefia de governo, no fim de julho, o líder conservador tem endurecido o discurso relativo às condições da saída britânica do bloco e promete retirar seu país do consórcio em 31 de outubro de qualquer maneira.

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