"Viagem de Bolsonaro à Argentina traz à mesa a reforma do Mercosul e ‘uma nova Itaipu’

"Viagem de Bolsonaro à Argentina traz à mesa a reforma do Mercosul e ‘uma nova Itaipu’

"O presidente Jair Bolsonaro visita seu par argentino Mauricio Macri na quarta (5) e quinta-feira (6). Na agenda da viagem de Bolsonaro à Argentina está a reforma do Mercosul – apenas um mês antes da reunião da cúpula do bloco comercial, marcada para julho, em Santa Fé, também em "solo hermano".

"O presidente Jair Bolsonaro visita seu par argentino Mauricio Macri na quarta (5) e quinta-feira (6). Na agenda da viagem de Bolsonaro à Argentina está a reforma do Mercosul – apenas um mês antes da reunião da cúpula do bloco comercial, marcada para julho, em Santa Fé, também em "solo hermano". Também deve ser negociado um tratado para a construção de duas hidrelétricas binacionais, tal como o acordo entre Brasil e Paraguai que permitiu a instalação na usina de Itaipu.

A agenda da visita ainda não foi divulgada, mas algumas pistas já foram fornecidas. Por mais de uma vez, o capitão do Exército disse estar preocupado com a possível volta de Cristina Kirchner ao poder nas eleições presidenciais de outubro.

As frequentes críticas à "dinastia Kirchner" e à Venezuela sinalizam a tendência de Bolsonaro apoiar a reeleição de Macri e trabalhar juntamente com o argentino para isolar a Venezuela, país suspenso do Mercosul por ruptura da ordem democrática. Em uma live na internet, em 24 de maio, Bolsonaro voltou ao tema e afirmou: “Devemos anunciar uma coisa a mais com o presidente Macri”.

Assunto garantido em viagem de Bolsonaro à Argentina

Macri foi o primeiro chefe de estado a visitar o Brasil após a posse de Bolsonaro. Os presidentes trataram da necessidade de “enxugar” o Mercosul. A retomada do tema é uma certeza na viagem de Bolsonaro à Argentina, terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas de China e Estados Unidos.

“O encontro entre os dois mandatários representa oportunidade para dar seguimento aos principais temas tratados durante a visita do presidente Mauricio Macri a Brasília. Possibilitará que os dois presidentes deem contornos claros aos novos rumos do relacionamento e confiram o necessário impulso político aos tópicos prioritários da pauta bilateral”, divulgou o Itamaraty em nota.

Em janeiro, Bolsonaro e Macri debateram o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia – empacado desde que as negociações começaram em 1999 –, além da flexibilização das regras do bloco sul-americano, que atualmente impede que países integrantes negociem individualmente acordos de livre comércio com outras nações.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, comentou a estrutura do bloco ao lado de Bolsonaro, no dia 26 de maio: “O Brasil trabalha com os países membros do Mercosul em um acordo com a Comunidade Europeia, mas o Mercado Comum Europeu é muito complexo. É um acordo que pode render mais de US$ 60 bilhões ao Brasil. Estamos caminhando para esse trabalho de internacionalização e temos que trabalhar com países próximos e que tratam com respeito o empreendedor, e não as republiquetas”.

Reforma do Mercosul: economia e proximidade ideológica

Em abril, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi a Buenos Aires acertar a agenda de pauta da viagem de Bolsonaro à Argentina em reuniões com Macri e o chanceler local, Jorge Faurie.

Na ocasião, Araújo reforçou a importância do livre comércio. Em palestra no Conselho Argentino de Relações Internacionais, também fez críticas à Venezuela, destacou o protagonismo do Brasil nas negociações do Grupo de Lima e pontuou: “Precisamos de um pacto de ideias, não apenas econômico. Com nossas ideias e valores, queremos uma região de democracia. Mas queremos coisas concretas, como grandes acordos que envolvem o Mercosul. Podemos, em curto prazo, fechar quatro grandes acordos: com a União Europeia, com o Canadá, com a Coreia e com o Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio). Assim podemos seguir com novos horizontes e com a flexibilização, se for o caso”.

A jornalistas argentinos, o chanceler afirmou que a revisão de taxas de exportação em produtos exportados entre os países está com negociações avançadas. E citou ainda a necessidade de parcerias em acordos internacionais sobre direitos humanos, e no combate ao crime organizado. “Podemos ter uma grande abertura e conexão de valores fundamentais”, comentou.

Visita de Bolsonaro à Argentina: cooperação nuclear e energética

Quase às vésperas da viagem, em 23 de maio, aconteceu em Brasília uma reunião do Comitê Permanente de Política Nuclear Brasil-Argentina (CPPN). Os países são signatários há 25 anos de um tratado mútuo de não proliferação de armas nucleares.

Além do intercâmbio de informações sobre os programas nucleares, foi encaminhado um projeto de cooperação da construção do Reator Multipropósito Brasileiro com participação de uma empresa argentina, e o fornecimento de urânio enriquecido do Brasil para o país aliado.

Reforma do Mercosul e acordos energéticos podem significar vitórias para ambos os presidentes durante a viagem de Bolsonaro à Argentina.

Em Buenos Aires, o jornal El Cronista afirma ter obtido a informação de que podem ser assinados ou ocorrer o avanço de até três acordos energéticos durante a viagem de Bolsonaro à Argentina.

Usinas hidrelétricas Garabi e Panambi no Rio Uruguai

Um dos projetos busca destravar os estudos de construção de duas hidrelétricas na fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina, no Rio Uruguai: Garabi e Panambi. Em estudo desde 1972, o projeto foi interrompido em 2015, entre outros motivos, pelo impacto ambiental.

A execução seria da Eletrobras e da Ebisa, estatal argentina de energia. “O Tratado para o Aproveitamento dos Recursos Hídricos Compartilhados dos Trechos Limítrofes do Rio Uruguai e de seu Afluente o Rio Peperi-Guaçu, assinado em 17 de maio de 1980, entre o Brasil e a Argentina, prevê que as obras e a operação das usinas serão executadas pelas duas empresas”, esclarece a Eletrobras, em seu portal oficial."

 

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