"Vexame de Ernesto Araújo é o símbolo da humilhação brasileira", diz Celso Amorim

"Vexame de Ernesto Araújo é o símbolo da humilhação brasileira", diz Celso Amorim

O ex-chanceler comentou o vexame passado por Ernesto Araújo em Israel, que se deu quando o ministro se aproximou de um oficial local sem máscara e se viu forçado a aderir à normas sanitária. "É um bom símbolo da humilhação".

O vexame do chanceler Ernesto Araújo em Israel, que se deu quando o ministro se aproximou de oficial local sem a máscara de proteção contra o novo coronavírus e se viu forçado a aderir à norma sanitária, foi um dos temas comentados por Celso Amorim em entrevista concedida à TV 247.

Nela, o ex-chanceler dos governos Lula condenou a viagem da comitiva brasileira ao país, que também conta com Eduardo Bolsonaro, para comprar o spray nasal contra a Covid-19, e lembrou que existem alternativas de tratamento da Covid-19 sendo desenvolvidas em solo nacional:

"Isso é uma coisa totalmente descabida. Primeiro que Israel, que confia tanto nesse spray (risos), quer vacinar toda sua população antes. É natural que em todo lugar se tente ver pesquisas sobre curas, tem gente no Brasil pesquisando como que se pode usar o BCG para eventualmente curar [a Covid-19], ou outro antiviral qualquer. Mas isso é uma coisa de longo prazo. Essas doenças variam muito", afirmou.

"É absolutamente ridículo que um país que vacinou 4% da sua população esteja buscando um spray lá. Além do que, parece que existe pesquisa do mesmo produto aqui no Brasil, mas parece que isso é desconhecido".

O ex-chanceler notou o contraste da postura da comitiva no Brasil e no estrangeiro, o que ele vê como uma humilhação: "É um factoide duplamente ridículo, porque num vídeo que eu vi mostrando a ida e a chegada, aqui estava todo mundo sem máscara, ou seja, aqui vale tudo. Aí chegam lá e todo mundo está de máscara. Quer dizer, o país que eles elegem como o principal cooperante tem um comportamento oposto do nosso".

"E depois na própria cerimônia de assinar o acordo, o ministro [Ernesto Araújo] passar por aquele ridículo... Aquilo não é uma distração, é um gesto, ele quis mostrar, 'olha eu sou machão' para desagradar o chefe aqui. E foi repreendido agora por quem deveria ser uma das últimas ligações com o mundo externo. É um bom símbolo da humilhação".

Amorim revelou ainda que a reação no Itamaraty contrária: "O que leio é que está todo mundo ridicularizando, mesmo aqueles que não se opõem abertamente. Alguém comentou: 'vai ver a máscara é chinesa!'", completou o ex-chanceler.

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