Verdes e eurocéticos podem frear acordo com Mercosul

Verdes e eurocéticos podem frear acordo com Mercosul

Para analistas, negociações entre UE e bloco sul-americano devem sofrer efeitos da nova configuração surgida no pleito europeu

O resultado das eleições no Parlamento europeu terá impacto direto nas negociações entre Mercosul e União Européia, na visão de especialistas ouvidos pelo GLOBO. As conversas entre os dois blocos, que começaram há 20 anos e seriam concluídas ainda em 2019 segundo estimativa do governo brasileiro e de alguns países europeus poderão ser duramente afetadas pelas posições dos chamados nacionalistas eurocéticos e pelos ambientalistas.

Para Carolina Pavesi, coordenadora do curso de Relações Internacionais da PUC de Poços de Caldas (MG), mais do que os nacionalistas com quem o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, tem mais afinidade ideológicao Mercosul poderá ter problemas com os verdes, que cresceram de forma substancial no Parlamento Europeu, passando a 67 cadeiras.

Segundo ela, a agenda ambiental não anda muito favorável ao Brasil, que está com a imagem arranhada. Argumentos de ordem ambiental podem ser usados como pretextos para impedir o tratado de livre comércio entre os dois blocos disse ela. A acadêmica destacou que o governo brasileiro também poderá ter problemas com Polônia, Irlanda, Romênia, França, Espanha, Hungria e outros países cujos agricultores dependem de subsídios para sobreviver e temem a concorrência dos fornecedores do Mercosul.

Ela enfatizou que o fato de existir um grupo de direita ascendendo com o perfil parecido com o PSL não necessariamente implica na alteração dos rumos do acordo Mercosul e UE. Até porque essa resistência ao acordo não é ideológica ou política.

Há interesses econômicos pontuais. Hoje, na UE, os grupos que fazem resistência a esse acordo e podem dificultar a aprovação são os lobistas da agricultura e os ambientalistas. Nesse sentido, um aumento da bancada dos verdes pode dificultar até mais do que esses nacionalistas afirmou. Nelson Franco Jobim, professor de pós-graduação das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), concorda com essa avaliação.

Ele lembrou que os agricultores são uma base social importante de partidos conservadores de centro-direita e de nacionalistas de ultradireita. O Parlamento estará mais fragmentado, e os grandes blocos devem ser enfraquecidos, a se confirmar o avanço da extrema direita. O maior obstáculo ao livre comércio com o Mercosul é a superioridade da nossa agropecuária. Os agricultores da França, Espanha, Polônia e Itália são contra abertura do setor observou Jobim.

IMAGEM NEGATIVA

Para o consultor internacional Welber Barrai, o perfil que se desenha do Parlamento deve afetar não só as negociações entre os europeus e o Mercosul, mas também com outros parceiros, como a índia. Ele ressaltou que os grupos mais nacionalistas são historicamente ligados ao agronegócio europeu, o setor que mais atrapalha o acordo dos dois blocos.

O acordo terá que ser aprovado pelo Parlamento. Além da pressão pela manutenção dos subsídios agrícolas, não ajuda o fato de a imagem do Brasil estar ficando cada vez mais relacionadaà desobediência às regras ambientais

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino