Venezuela deporta jornalista argentino que cobriria eleição da Constituinte

Venezuela deporta jornalista argentino que cobriria eleição da Constituinte

Serviço de imigração alega que Jorge Lanata não tinha autorização do Ministério da Comunicação

 28/07/2017 9:12

CARACAS - O governo da Venezuela deportou nesta sexta-feira Jorge Lanata, importante jornalista argentino do grupo Clarín. Ele chegou ao país para cobrir a eleição da Assembleia Nacional Constituinte proposta pelo presidente Nicolás Maduro para o próximo domingo. Ao chegar no departamento de imigrações no aeroporto de Caracas, um agente negou a entrada ao jornalista, que estava acompanhado da produtra Martina Perdiguero e o cinegrafista Carlos Torres

Eles foram levados a um escritório com oito autoridades do serviço de migração, onde foram notificados sobre a deportação da Venezuela por não contar com autorização do Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação. Ele chegou a país em voo da Copa Airlines com escala no Panamá e ficaria lá até segunda-feira, um dia após Constituinte.

— Proibiram a entrada na base por nada, e o pior é que ficamos isolados porque não havia maneira de fazer alguma coisa — contou Lanata em entrevista à rede TN. — Ficamos oito horas incomunicáveis, com oito agentes de segurança ao redor, com armas, incomunicáveis entre nós, não nos deixavam falar.

O chanceler argentino Jorge Faurie disse ao mesmo canal que a deportação se trata de uma "clara restrição à liberdade e à liberdade de imprensa. Ele disse que o governo avalia, junto aos países que integram o Mercosul, aplicar o Protocolo de Ushuaia à Venezuela para decretar que "ali não há democracia".

— O que aconteceu com Lanata jamais deveria acontecer na América Latina e nenhum país que aspira a ser membro do Mercosul — declarou a autoridade. — É uma expressão das novas modalidades do autoritarismo que existe na Venezuela.

Este não é o primeiro incidente de Lanata com as autoridades migratórias da Venezuela. Em 2012, ele passou por longo interrogatório ao chegar e, no momento de deixar o país, ele e sua equipe foram retidos pelo Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin).

A expulsão do jornalista argentino se dá em meio a um contexto de violência contínua há quase quatro meses na Venezuela. Confrontos entre policias e manifestantes já deixaram mais de 100 mortos em protestos contra a proposta de Assembleia Constituinte para reformular a Constituição do país.

 
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