Vendas para o vizinho despencam, mas seguem relevantes

Vendas para o vizinho despencam, mas seguem relevantes

Mergulhada em sua própria crise, a Argentina perde espaço como destino para as exportações do Brasil até setembro deste ano, as vendas registram queda de 39%, ante igual período de 2018, segundo dados do governo brasileiro.

Ainda assim, o vizinho é visto como importante parceiro comercial, já que concentra sua dema nda em produtos manufaturados (de maior valor agregado), e, por isso, exportadores adotam tom de cautela ao falar sobre o recém-eleito governo do peronista Alberto Fernández.

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) aguarda os desdobramentos da mudança, mas já avalia que questões ideológicas não deveriam atrapa lhar as conversas entre os países e no Mercosul. `[O governo brasileiro) Não pode olhar só de forma ideológica`, diz a diretora de Economia e Estatística da entidade, Fátima Giovanna Coviello Ferreira.

A associação da indústria de autopeças (Sindipeças), que observa as vendas ã Argentina recuarem cerca de 30% no ano, também afirma que vai aguardar o novo governo tomar posse e ocorrerem os primeiros contatos com representantes para se pronunciar. Mas ressalta que a Argentina é o principal destino das exportações brasileiras de veículos e autopeças e diz esperar `que o Mercosul avance e que inclua integralmente o setor automotivo`, segundo o presidente da entidade, Dan loschpe, também presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (lecli). Representante das montadoras, a Anfavea preferiu não comentar.

Na semana passada, antes da eleição do domingo na Argentina, o presidente Jair Bolsonaro havia ameaçado isolar o vizinho do Mercosul, dependendo da postura do próximo governo, Bolsonaro disse que o Brasil quer que a Argentina continue com a abertura comercial, como vinha fazendo o atual presidente, Maurício Macri. Ontem, Bolsonaro lamentou a derrota de Macri e disse que não cumprimentará Fernández.

Qualquer que fosse o resultado do pleito, porém, não seria possível reverter o impacto negativo da crise argentina nas exportações brasileiras, avalia José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Estudo recente do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) publicado pelo Valor calcula, por exemplo, que a recessão na Argentina deve tirar ao menos 0,5 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste ano.

Por isso, para Castro, o importante agora é que o Brasil ajude o vizinho. `Se o Brasil ajudar, a Argentina se volta para nós naturalmente, porque somos mais próximos`, diz ele, lembrando que a China tem interesse no enfraquecimento das relações no Cone Sul.

A forma de o Brasil `ajudar` a Argentina, segundo Castro, é `nâo gerar dificuldades`. `Ajudar é não atrapalhar, deixar a Argentina tomar as decisões dela. Ela tem os problemas que são naturais dela, que estão aí e só ela pode resolver.`

Na avaliação de Castro, até o momento, Fernández não deu declarações que apontem para mudanças drásticas. `O país deve adotar algumas medidas protecionistas para gerar superávit através de balança comercial, porque ele não tem outro jeito, está fora do mercado internacional. Mas essas são decisões que já têm sido tomadas`, diz.

Além disso, Castro avalia que concretizar o acordo comercial entre Mercosul e Europa depende de uma coesão no bloco latino. `Se o Brasil for sozinho, vamos chegar enfraquecidos, e a União Européia vai apresentar novas condicionantes.`

Para Raláel Cagnin, economista do Iedi, colocarem xeque o Mercosul é prejudicial para a recuperação da economia brasileira. `É extremamen te contraproducente, porque é inserir mais um elemento de profunda incerteza dentro de um ambiente econômico no Brasil já muito ruiin`, afirma.

O futuro do bloco vai depender, segundo ele, da postura adotada pelos governos membros se pragmática ou em função de um `conjunto de valores`.

`A expectativa é que os governos sejam relativamente pragmáticos e compreendam que o que existem são relações econômicas que dão a base para as relações dos países e Estados`, diz o economista.

 (Colaborou Stella Fontes)

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