Vendas para China crescem 15% e sustentam saldo comercial

Vendas para China crescem 15% e sustentam saldo comercial

Comércio exterior Exportações para o resto do mundo caíram 15,2%

Contrariando expectativas de que a pandemia causaria estrago maior no comércio do Brasil com o exterior, a demanda firme da China, aliada a um câmbio mais depreciado, evitou retração mais forte das exportações brasileiras. De janeiro a junho, os embarques para o gigante asiático subiram 14,6% ante o mesmo período do ano passado, para USS 34,35 bilhões, ao mesmo tempo em que as vendas para o resto do mundo caíram 15,2%.

Os cálculos são do Barclays, com base em dados do Ministério da Economia. No total, as exportações encolheram 7,1% no acumulado do ano. Ainda que em terreno negativo, o número foi uma surpresa favorável para economistas, que esperavam redução mais significativa diante da recessão mundial.

Como resultado da maior demanda da China, a participação do país na pauta de exportações nacional cresceu ainda mais, de 27% no primeiro semestre de 2019 para 34% no mesmo intervalo de 2020 maior percentual desde 2000, primeiro ano da série elaborada pelo banco. Do superávit de US$ 22,3 bilhões da balança comercial brasileira no acumulado deste ano, a China responde por USS 17,7 bilhões, ou quase 80% do total.

Embora boa parte do sal do positivo entre exportações e importações seja explicado pela crise econômica e o real desvalorizado, que derrubaram as compras do exterior, economistas afirmam que o `efeito China` também ajudou a sustentar o superávit. Para eles, essa tendência deve continuar ao longo do ano e coloca viés de alta nas estimativas para o saldo da balança em 2020, ainda que os possíveis desdobramentos da guerra comercial entre o país asiático e os EUA adicionem incertezas no cenário.

A queda de 13% do superávit comercial brasileiro entre o primeiro semestre do ano passado e igual intervalo deste ano teria sido consideravelmente maior sem a contribuição positiva do gigante asiático, destaca Roberto Secemski, economista-chefe para Brasil do Barclays. `As exportações brasileiras continuaram relativamente resilientes, graças ã demanda da China`, diz Secemski, que se surpreendeu com recuo menos acentuado que o previsto das vendas externas.

A retomada mais rápida da economia chinesa e, possivelmente, a escalada das animosidades na relação entre o país e os EUA podem explicar por que as exportações brasileiras à China tiveram bom desempenho, sobretudo nos itens básicos, avalia o economista. De janeiro a junho, os embarques de soja e minério de ferro ao país asiático avançaram 31 % e 27%, respectivamente.

Após cair 6,8% no primeiro trimestre sobre igual período de 2019, a economia chinesa cresceu 3,2% no segundo trimestre na mesma comparação, o que configura uma recuperação em `V`. A China deve sair do choque atual mais forte e será uma das poucas nações a crescer este ano, afirma li vio Ribeiro, pesquisador do Instituto Brasile iro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). No Boletim Macio de julho, Ribeiro estima que o PIB chinês terá alta de 1,2% em 2020 e, no quarto trimestre, já estará rodando perto de sua tendência de longo prazo, de 5,5% ao ano.

`Os resultados da balança comercial até junho mostram que, mesmo num cenário de crise, o desempenho das exportações brasileiras é positivo`, avaliou a pesquisadora Lia Valls, do Ibre/FGV, responsável pelo Indicador de Comércio Exterior (Icomex) da entidade. Ela destaca que, no sexto mês do ano, em valor, as exportações caíram 2,7% sobre igual período do ano anterior, mas, em volume, subiram 13,1%.

Além da reação chinesa, Secemski aponta a tensão comercial entre China e EUA como outra possível influência de alta nas exportações brasileiras. Até agora, expectativas de que a fase I do acordo comercial entre os dois países reduziria as compras chinesas de produtos brasileiros não se confirmaram, diz ele.

Nessa fase do acerto, a China se comprometeu a acelerar compras de bens agrícolas dos EUA. `Novos entendimentos entre os países poderiam mudar essa situação [de alta das exportações do Brasil para a China], mas conforme as eleições americanas se aproximam, a chance disso ocorrer parece diminuir`, afirma.

Para Paula Magalhães, economista-chefe da A.C. Pastore & Associados, possíveis surpresas em relação à guerra comercial adicionam incertezas nas estimativas para o saldo da balança comercial brasileira. `Na hipótese de um acordo entre os dois países, as exportações de commodities brasileiras poderão sofrer mais`, observa ela.

Paula espera aumento de cerca de US$20 bilhões no saldo da balança ante 2019, quando o superávit foi de USS 48 bilhões. Em seu cenário, a melhora virá principalmente de forte retração das importações, mas o comportamento menos negativo das exportações a té agora também é levado em conta. Nos cálculos com ajuste sazonal da A.C. Pastore, a China elevou as compras do Brasil em 10% entre o primeiro e o segundo trimestres. Além da reação do nível de atividade no país, Paula aponta que a alta do dólar em relação ao real elevou a competitividade nas exportações ã China. `A depreciação do real bem acima das moedas dos demais países emergentes levou a um câmbio real significativamente mais depreciado do que na média de 1994 a 2002`, ressalta a consultoria.

Sócio e economista da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto diz que a queda menor que o previsto das exportaçõesjunto â intensa redução das importações, coloca viés de alta em sua projeção para a balança comercial no ano. `A pandemia mudou drasticamente a perspectiva de queda dos saldos comerciais em 2020. Temos expectativa de saldo de USS 49 bilhões no ano, mas podemos rever esse número para USS 55 bilhões`, diz. Segundo Campos Neto, a surpresa positiva com as vendas externas se concentrou no segundo trimestre.

O Barclays estima que o superávit comercial brasileiro vai crescer para USS 53 bilhões em 2020. `Continuamos vendo risco de alta para o saldo comercial neste ano`, diz Secemski, para quem a tendência positiva das exportações à China tende a prosseguir.

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