Venda de gás a residências cresceu até 10%, diz presidente da Cosan

Venda de gás a residências cresceu até 10%, diz presidente da Cosan

15:23 - Executivo afirmou que redução do consumo na crise se concentra na indústria e no comércio

A Comgás observou um crescimento de 9% a 10% das vendas a residências durante o período da pandemia do novo coronavírus, disse nesta quinta-feira o presidente do grupo Cosan, Luis Henrique Guimarães, em teleconferência com analistas e investidores.

O executivo afirmou que o segmento residencial vem ganhando importância para Comgás nos últimos anos e representa, atualmente, cerca de 35% das margens da companhia.

Nesse contexto, ele prevê que o impacto da pandemia para a empresa será muito maior em volume – com a redução do consumo concentrada na indústria e no comércio – do que em margens.

Guimarães avaliou que o desabastecimento de botijões de gás liquefeito de petróleo (GLP) em alguns locais do país cria um ambiente mais favorável para que a Comgás aumente o número de conexões quando a situação se normalizar.

O presidente do grupo afirmou que, apesar das turbulências atuais, a Cosan mantém sua aposta no mercado de gás, reiterando que os planos traçados são de longo prazo. “Temos grandes planos para a Compass”, disse.

A Compass Gás e Energia, anunciada no início de março, foi criada para reunir ativos e projetos de energia elétrica e gás natural que a Cosan já detinha.

Na frente de geração de energia, o executivo lembrou que os leilões para contratação de termelétricas foram suspensos pelo governo. “Continuamos olhando oportunidades, conversando com investidores, mas essa parte [participar em leilões] não vai acontecer.”

Sobre projetos em fase de licenciamento – o Rota 4, gasoduto que trará o gás do pré-sal para o continente, e um terminal de importação de gás natural liquefeito (GNL) no litoral paulista –, ele afirmou que os processos seguem em andamento.

Guimarães disse ainda que ter gás barato e competitivo será importante para o país no momento de recuperação econômica pós-pandemia.

Raízen

De acordo com Guimarães, a Raízen Combustíveis sentiu forte redução no consumo num primeiro momento de adoção das medidas de isolamento, especialmente em grandes cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo.

“Mas temos visto um pequeno aumento na demanda nos últimos dias, com o afrouxamento em alguns Estados e as pessoas saindo um pouco mais de casa”, comentou.

No diesel, a queda foi menor do que na média dos combustíveis e ficou em 15%, suportado também pelo início da safra. Em combustível de aviação, a queda chegou a 80%, pressionada pelo cancelamento da maior parte dos voos.

Conforme o executivo, a Raízen tem se esforçado para dar suporte e apoio aos revendedores neste momento, inclusive por meio da entrega de informações e auxílio em relação aos programas lançados pelo governo para confrontar a crise, como o de folha de pagamentos.

“Temos uma rede de revendedores muito forte e um programa também forte de apoio”, disse, acrescentando que a queda dos preços do petróleo contribui para reduzir a pressão de capital de giro. “Nossa rede está usando os programas do governo”.

Apesar desses esforços, porém, alguns postos não devem resistir e terão de fechar as portas. “As revendas mais capitalizadas, com as melhores localizações e as que foram mais rápidas no ajuste de custos são as que terão melhores perspectivas daqui para a frente”, disse Guimarães.

Por outro lado, operações menos eficientes, com pior localização e menos capitalizadas terão seu fechamento acelerado. “No ano passado, tivemos alguns fechamentos, os primeiros que vimos acontecer, e a informalidade [no mercado de distribuição] contribui para isso”, disse.

“Por isso, estamos prestando muita atenção quanto às novas regulamentações a fim de evitar oportunismos durante a crise”, ressaltou.

Ao mesmo tempo, disse o executivo, ainda não está claro qual será o efeito da queda dos preços dos combustíveis no comportamento do consumidor, o que poderá ser uma boa notícia para esse mercado.

“Os impostos também vão cair e o diferencial entre os players também será reduzido”, comentou.

Na Argentina, contou Guimarães, as operações foram mais afetadas, com redução de 80% na demanda diante do “lockdown” decretado no país. Há leve retomada neste momento, beneficiada principalmente pela safra.

Para contornar os efeitos da crise, a Raízen Argentina fechou a maior parte da operação na refinaria, uma vez que há estoque disponível em nível suficiente para fazer frente à demanda até o fim do período de isolamento.

Moove
Para fazer frente à queda de 50% nas vendas em volume da Moove com a crise, o ritmo de produção de lubrificantes foi reduzido a fim de evitar o acúmulo de estoques e eventuais efeitos no capital de giro, afirmou Guimarães.

“Na área de lubrificantes, tivemos uma parada muito repentina em todos os países de operação, com postergação ou atraso dos pedidos”, disse.

Segundo o executivo, uma das vantagens do modelo de operação da Moove é que, ao contrário dos demais participantes desse mercado, os estoques ficam concentrados na empresa e não no canal de distribuição.

Com a retomada da demanda, portanto, a recuperação deve ser mais veloz, já que esses distribuidores estão reduzindo os volumes que têm em inventário. “Devemos voltar com boa marca e boa distribuição disponíveis”, comentou.

Rumo
A empresa de logística Rumo foi o negócio menos afetado na carteira do grupo Cosan, segundo o presidente. A companhia se beneficiou da boa safra de grãos e que conseguiu manter as obras de ampliação de seu terminal ferroviário em Rondonópolis (MT), afirmou.

Guimarães ainda destacou que a Rumo terá caixa suficiente para financiar seus investimentos.

Sobre a renovação da Malha Paulista, que voltou a sofrer questionamentos da área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) nos últimos dias, ele disse que todo o trabalho que cabia à empresa foi feito e que agora trata-se de uma questão de “governança no governo”.

“É uma questão entre TCU e ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres]”, concluiu o executivo.

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