Vaivém das Commodities acompanha 30 anos de revolução do agronegócio

Vaivém das Commodities acompanha 30 anos de revolução do agronegócio

Faltou ao Brasil inserção global maior. Governo e iniciativa privada descuidaram das relações comerciais, e hoje o país está praticamente isolado quando se trata de acordos internacionais de comércio. Do ponto de vista do produtor, faltou uma política de renda, sobretudo por meio de um plano de seguro rural consistente.

Criada em 1989, coluna noticiou transformação do país de importadora um dos gigantes dos alimentos.

Final da chamada `década perdida` O país estava endividado, ainflação eragalopante, e o agronegócio, como o restante da economia, enfrentava dificuldades.

Os preços agrícolas das transaçõesfeitasno fim do dia seriam bem diferentes daqueles negociados 110 períododa manhã. Nesse cenário, emi4 de maio de 1989, começava a ser publicada a coluna Vaivém das Commodities, assim denominada em alusão aos constantes movimentos contrários do fluxo das mercadorias.

No dia anterior ao início da publicação, amanchete daFolha era, no mínimo, preocupante: `Faltam arroz, feijão, carne, café e açúcar`. No texto, o jornal incluía óleo de soja, leite e derivados de carne.

A inflação daquele ano atingiu 1.973%, taxa altíssima que ainda seria superada em um futuro próximo. Quatro anos depois, chegaria a 2.477%. Logo em seguida, a Folha criou uma tabela própria de cotações, pesquisando pre ços de 16 produtos em50 dos principais locaisde produção e de comercialização do país. Mais adiante, veio uma página diária de commoditiespara que se fizesse um acompanhamento aínd a mais p reciso das atividades do setor.

Em 30 anos, muita coisa mudouno campo. Na década de 1990, com as finanças em franga lhose limitações orçamentárias, o governo foi o brigado a sair do setor, desregulamentando várias atividades. Começou pelo café e pela cana-de-açúcar, extinguindo o IBC {Instituto Brasileiro do Café) e o IAA (Instituto do Açúcar e do Álcool), em 1990.

A saída do governo não foi de to do má. O agronegócio caminhou com as p róprias pernas e c onseguiu evolução c ontínua. As exportações de açúcar va saíram de 1 milhão de toneladas naquele período para 28 milhões.

O país, de importador de alimentos, passou a ser um dos principais fornecedores de commodities do mundo. É verdade que setor poderia estar em p atamares melhores que o atual. Não foi feita uma política de longo prazo, e um dos seus principais gargalos, a logística, não evoluiu como o conjunto do agronegócio. Afaltade infraestrutura adequada continua sendo um dos fatoresde perdadecompetiti vidade do produto brasileiro.

Faltou ao Brasil inserção global maior. Governo e iniciativa privada descuidaram das relações comerciais, e hoje o país está praticamente isolado quando se trata de acordos internacionais de comércio. Do ponto de vista do produtor, faltou uma política de renda, sobretudo por meio de um plano de seguro rural consistente.

Foi esse o caminho seguido pelos principais concorrentes do Brasil. resprodutoresmundiaís protegem seus agricultores, haja vista o que fizeram os EUA na semana passada, ao colocarem US$ 16 bilhões à disposição dos produtores para resguardá-los dos efeitos da guerra comercial com a China.

Ainda assim, os números brasileiros nestes 30 anos são impressionantes. Com um aumento de 49% na área utilizada para a safra de grãos, o Brasil conseguiu uma evolução de produção de 231%. O Valor Bruto de Produção dos 17 principais produtos agrícolas, corrigido segundo a inflação, foi deR$ 398 bilhões no ano p assado, 119 % mais do que em 1989.

A soja teve evo- Por meio de subsídios ou d e políticas específicas, os maiolução de 287% no mesmo período, e o valor da pecu ária subiu 128% de 2000 a 2018. O crescimento da produção melhorou a oferta ínte ma de alimentos. Nosanosi98o, década R$ íaa que o consumidorgastava, R$ 39 eram destinados a alimentos.

Atualmente, são Ií$ 24. As exportações do agronegócio tiveram grande importância para sanearas contas do governoe trazerreceitaspara produtores e exportadores. Nos dez anos mais recentes, as exportações do agronegócio somaram US$ 90 bilhões por ano, em média. Na década imediatamente anterior, o valor era de US$ 38 bilhões. Por que tanta evolução na produção e na exportação? O setor caminhouapassoslargos graças ao uso de tecnologia.

A agricultura avançou para diferentes regiões eteve o suporte de novas tecnologias da Embrapa e de outras empresas que vislumb raram o ho m desempenho do setor no país. O aumento deprodução teve respaldo tanto no consumo internocomo no externo.

Neste último caso, a evolução da renda nospaíses emergentes garantiu as exportações. As cooperativas também tiveram grande importância nesse crescimento. Além de estimularem aprodução interna, elas passaram a ter papel significativo nasexportações. Em 89, Roberto Rodrigues dizia que, quando as cooperativas chegassem asertradings, a expansão seriaaindamaior.

Em seu período de ministro da Agricultura, na primeira década deste século, elas não só cresceramnas exportaçõ es como também se tornaram importantes agroindústrias. Mais do que saber produzir, a atividade agrícola atual exige sabervender. A presença de fundos bilionários no setor, comprando e vendendo papéis constantemente, obriga o produtor a ampliar seus horizontes. Oferta e demanda já não são os únicos fatores determinantes paia o setor. Entender as movimentações do dólar, da Bolsa e do mercado financeiro passoua ser imprescindível também.

O setor agropecuário está em constante mudança, e isso requer do produtor brasileiro a agilidade para seadaptara novos rumose enfrentar novos desafios seja a busca de umprodutode melhorqualidade, seja a atenção às exigências do consumidor, seja a produção com garantia de sustentabilidade. O atual governo precisa ir se acostumando a essas novas exigências do mercado, principalmente às do externo. Um deslize nessa área podepôr muita coisa a perder.

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino