Uruguai abandona a Unasul e volta a acordo de defesa mútua com EUA

Uruguai abandona a Unasul e volta a acordo de defesa mútua com EUA

10/03 - 19:40 - Após chegada de centro-direita ao poder, Montevidéu segue o exemplo da maioria de países da região, incluindo Brasil e Argentina

MONTEVIDÉU - Por meio de um comunicado de sua Chancelaria, o Uruguai anunciou nesta terça-feira que decidiu retirar-se da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), um bloco criado em 2008, por meio de esforços de governos de esquerda.

O país alegou que o grupo é “uma agência que parou de funcionar” e que "ele já foi abandonado pela maioria dos países da região, com exceção de Guiana, Suriname e Venezuela". Em uma atitude concomitante, o país também disse que voltará ao Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), acordo na área de defesa.

A maioria dos membros da Unasul, único bloco de toda a América do Sul e composta originalmente por 12 países, a abandonou em 2018, principalmente devido a diferenças ideológicas. As decisões uruguaias se seguem à mudança de governo do país, que passou a ser comandado pela centro-direita há pouco mais de uma semana.

A Unasul nasceu de um processo que começou no governo de Fernando Henrique Cardoso, que realizou no Brasil a primeira reunião de cúpula sul-americana, no final dos anos 1990. Sua concretização ocorreu no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Sem um secretário-geral e com metade dos fundadores afastados, a Unasul atualmente agoniza. O fórum de coordenação de políticas na América do Sul, que tem até um Conselho de Defesa, perdeu relevância sobretudo após a eleição de governos conservadores na região.

Em abril de 2018, Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Peru e Colômbia suspenderam as atividades do bloco, por falta de acordo com Bolívia e Venezuela sobre a eleição de seu novo secretário-geral. Depois, os colombianos anunciaram a saída do organismo.

"Este é um órgão regional, baseado em alinhamentos político-ideológicos e, de fato, parou de funcionar: não tem mais sede e carece de um secretariado-operacional geral", afirmou o comunicado uruguaio.

Como alternativa ao bloco em declínio, autoridades da Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Guiana e Chile, como anfitriões, se reuniram em março de 2019 para inaugurar o Fórum para o Progresso da América (Prosul).

O mesmo texto do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai também anunciou a decisão de suspender o processo de retirada do Tiar, que conta com mais de 15 membros da região e os Estados Unidos. "Com essa medida, o país reforça seu compromisso histórico com o sistema interamericano", afirmou o Ministério das Relações Exteriores do Uruguai.

O governo do centro-direita Luis Lacalle Pou, que assumiu o cargo em 1º de março após 15 anos de governo Frente Ampla, de esquerda, entende que a retirada do TIAR "enfraqueceu o sistema interamericano e privou o Uruguai de fazer com que sua voz fosse ouvida na área de assistência mútua no campo da defesa coletiva e da segurança hemisférica".

O Uruguai foi o único país membro do Tiar que, em setembro de 2019, durante a gestão do esquerdista Tabaré Vázquez, votou nas Nações Unidas contra a decisão de ativá-lo para coordenar sanções contra o regime venezuelano de Nicolás Maduro. Após a votação, ele anunciou sua retirada do pacto.

 

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