Uma nova política anti-Palestina

Uma nova política anti-Palestina

Nenhum dos presidentes do Brasil, civis ou militares, foi anti-Israel desde a criação do país com a Partilha da Palestina histórica em votação na Assembleia Geral da ONU em novembro de 1947, presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, até hoje celebrado entre os israelenses. Jair Bolsonaro pode se diferenciar de seus antecessores por ser anti-Palestina, não por ser pró-Israel.

Nenhum dos presidentes do Brasil, civis ou militares, foi anti-Israel desde a criação do país com a Partilha da Palestina histórica em votação na Assembleia Geral da ONU em novembro de 1947, presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, até hoje celebrado entre os israelenses. Jair Bolsonaro pode se diferenciar de seus antecessores por ser anti-Palestina, não por ser pró-Israel.

Ao longo das mais de sete décadas de existência do Estado de Israel, o Brasil buscou sempre adotar uma neutralidade pró-paz, o que beneficia Israel e a Palestina. Entre 1956 e 1967, milhares de militares brasileiros do Batalhão Suez integraram as Forças de Paz da ONU (Unef) e ficaram baseados na Faixa de Gaza inclusive, o local onde fica a base brasileira tem o nome de Campos de Refugiados Brasil. Quando eclodiu a Guerra dos Seis Dias, em 1967, os soldados brasileiros não foram retirados a tempo, e um deles morreu no fogo cruzado.

No regime militar em Brasília, havia aqueles que viam o conflito pelo prisma do nacionalismo e, neste sentido, simpatizavam com Nasser, ditador do Egito. Além disso, enxergavam o movimento sionista como socialista. Já outros viam pelo ângulo da Guerra Fria e preferiam estar ao lado oposto dos soviéticos. Para estes, Israel era um bastião ocidental no Oriente Médio. Na ONU, o Brasil de Costa e Silva adotava uma posição de neutralidade.

Ao longo das décadas seguintes e, em especial, depois dos Acordos de Oslo (1993), o Brasil claramente se posicionou a favor de uma solução de dois Estados vivendo em paz e segurança. Acordos de livre comércio do Mercosul foram assinados com Israel e com a Palestina. Os governos brasileiros sempre criticaram a expansão dos assentamentos israelenses, assim como condenavam corretamente os atentados terroristas cometidos por grupos palestinos como o Hamas. O status final de Jerusalém, na visão brasileira até hoje, deve ser resolvido mediante negociação entre os dois lados.

Bolsonaro, porém, quer alterar esta postura. O caso da embaixada é emblemático. Segundo o presidente, todos os países soberanos podem escolher suas capitais, e Israel diz que a sua é Jerusalém. O futuro presidente, no entanto, não menciona que os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental, que tem maioria árabe. O Brasil e a maior parte dos países do mundo, incluindo da Europa, mantêm a embaixada em Tel Aviv até haver um acordo entre os dois lados. Ninguém questiona que a parte ocidental é a capital de Israel, e removerão a embaixada para esta área quando houver acordo. Mas não existe definição sobre o lado oriental. Bolsonaro, ao ignorar as demandas de palestinos cristãos e muçulmanos de Jerusalém, adota uma postura anti-Palestina.

Alguns afirmam que sua posição teria ligação com o posicionamento de certos grupos evangélicos que enxergam Israel como uma questão bíblica. Outros dizem que seria para copiar Trump. Acho que envolve as duas coisas e também Netanyahu. O premier israelense, que corre risco de ser indiciado por escândalos de corrupção, tem se aproximado de governos mais à direita ao redor do mundo. Em Bolsonaro, o líder israelense viu a chance de ter ao seu lado um país como o Brasil, visto com simpatia internacional.

 

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