Um novo calote dos ´hermanos´ não convém a ninguém

ANALÍTICO

Um novo calote dos ´hermanos´ não convém a ninguém

0 governo brasileiro ainda não decidiu se dará ou não o respaldo pedido pela Argentina no âmbito do Fundo Monetário Internacional (FMI). Não decidiu por várias razões.

Existe um debate dentro do Executivo sobre como lidar com o governo peronista e kirchnerista de Alberto Fernández e Cristina Kirchner. Passou-se da mais absoluta aversão, começando pelo presidente Jair Bolsonaro, à tentativa de ter uma relação pragmática, opção defendida pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Essa mudança ficou claríssima na visita do chanceler argentino, Felipe Solá, a Brasília, em 12 de fevereiro.

Mas não é uma mudança firme. Em palavras de membros da equipe econômica, nada está garantido. O secretário de Comércio Exterior e Relações Internacionais, Marcos Troyjo, disse em palestra no banco BTG Pactuai, em São Paulo, que para tomar uma decisão o Brasil precisa saber quais são as intenções da Argentina. Existe interesse numa aliança comercial, mas preocupa a política interna argentina. Mais especificamente, a influência e poder da ala kirchnerista.

Se na campanha presidencial de 2018 o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a Argentina e o Mercosul não eram prioridades para o então candidato Bolsonaro, hoje o Planalto discute essa situação e tenta construir um vínculo pragmático. A pressão empresarial é grande, e o Brasil de 2020 entendeu que, com uma Argentinaem processo de recuperação, a região fica mais forte para encarar negociações comerciais com o mundo. Uma Argentina dando um novo calote da dívida não convém a ninguém.

O debate está instalado, e a palavra de Guedes tem um peso decisivo. O Brasil mudou o tom, mas não está disposto a mudar o rumo. A bola está no campo dos argentinos.

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