UE prevê que recuperação econômica levará anos

UE prevê que recuperação econômica levará anos

A Comissão Europeia espera contração de 7,4% da economia da UE neste ano, número que ficou inalterado em relação à previsão anterior. Mas expectativa de recuperação para 2021 foi reduzida de 6,1% para 4,1%

A recuperação econômica da União Europeia (UE) sofreu um revés em razão da segunda onda
de covid-19, e o bloco precisará de pelo menos dois anos para devolver sua economia aos níveis
pré-pandemia. O alerta foi feito ontem pela Comissão Europeia.

A recuperação da pior recessão já registrada pela UE em sua história será mais lenta que o
esperado anteriormente, segundo as novas previsões divulgadas pela Comissão Europeia, uma
vez que o aumento dos novos casos vem forçando a maioria dos Estados a impor novas
restrições à atividade.

Bruxelas espera uma contração de 7,4% da economia da UE neste ano, número que ficou
inalterado em relação à previsão anterior. Mas expectativa de recuperação para 2021 foi reduzida
em 2 pontos percentuais, de expansão de 6,1% prevista em maio para 4,1%.
Paolo Gentiloni, comissário de Economia da UE, disse que “a recuperação muito forte vista no
terceiro trimestre foi interrompida” pelo ressurgimento do vírus, uma vez que muitas empresas
foram forçadas a fechar novamente.
“O crescimento retornará em 2021, mas levará dois anos para a economia europeia chegar perto
de alcançar o nível pré-pandemia”, disse. “O crescimento vai empacar no quarto trimestre e
acelerar na primeira parte de 2021.”
As previsões são anunciadas no momento em que dados separados mostraram que as vendas
no varejo na zona do euro caíram 2% em setembro, comparado ao mês anterior. Trata-se da
maior queda desde abril, quando a maior parte da região entrou em quarentena.
A queda maior que a esperada ocorreu antes da imposição dos novos “lockdowns”, sugerindo que
a economia do bloco já perdia força antes do novo golpe à economia. As maiores quedas foram
nas vendas de têxteis, roupas, calçados e também nas vendas pela internet e pelos correios
(nestes últimos dois casos com queda de mais de 5%). Os países com maiores quedas foram
Bélgica, França e Alemanha.

Enquanto isso, as encomendas à indústria na Alemanha cresceram 0,5% em setembro, um
aumento menor que o esperado, mas um sinal da resistência do setor industrial europeu em
comparação ao setor de serviços, que é maior e que vem sendo mais duramente atingido pelos
efeitos da pandemia.
A Espanha deverá ter a maior recessão entre todos os Estados-membros neste ano, segundo a
Comissão Europeia, com o PIB caindo 12,4%. A Itália terá contração de 9,9% e a Croácia, de
9,6%. O PIB da França deverá sofrer retração de 9,4%, e o da Alemanha, queda de 5,6%. A
Irlanda deve ter a recessão menos acentuada da UE, de 2,3%.
A projeção de Bruxelas parte do pressuposto de que algumas medidas restritivas continuarão em
vigor até 2022, disse Gentilone. A comissão alertou que sua previsão está sujeita a riscos
“excepcionalmente grandes” devido ao avanço da crise de saúde. Um agravamento da pandemia
poderá levar “a um impacto mais grave e mais duradouro sobre a economia”.
“Existe também o risco de cicatrizes deixadas na economia por conta da pandemia - como
falências, desemprego de longo prazo e episódios de desabastecimento - possam ser mais
profundas e de maior alcance”, disse a previsão.
Gentiloni conclamou países do bloco a manter patamares excepcionais de apoio fiscal, embora
isso deva aumentar significativamente os níveis de endividamento. A Itália alcançará uma relação
dívida pública em relação ao PIB de 159% nos próximos dois anos, estima a comissão - a média
da zona do euro ultrapassará 100% até 2022.
A UE ainda negocia um acordo sobre seu fundo de recuperação de €750 bilhões, que não deverá
começar a desembolsar dinheiro antes do fim do ano. A comissão prevê que a ajuda elevará o
PIB da UE em 2% nos anos em que ocorrer.

Por Mehreen Khan e Martin Arnold — Financial Times

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