TRUMP MIRA 0 BRASIL

TRUMP MIRA 0 BRASIL

Ao fechar novo Nafta, presidente faz crítica comercial

Na comemoração de uma vitória, novos alvos da guerra comercial. Assim Donald Trump celebrou o acordo Estados Unidos, México e Canadá (USMCA, na sigla em inglês), que substituirá o Nafta. Confiante com a conquista, que trará dividendos eleitorais por se tratar de uma promessa de campanha, ele retomou ontem o discurso contra chineses e europeus, e incluiu índia e Brasil no rol dos países onde ele buscará `um comércio mais justo` para os EUA.

-O Brasil é outro caso, é uma beleza. Eles cobram de nós o que querem. Se você perguntar a algumas empresas, elas dizem que o Brasil está entre os mais difíceis do mundo, talvez o mais duro afirmou Trump na Casa Branca, depois de reclamar dos indianos.

E a primeira vez que Trump critica comercialmente o Brasil e é uma queixa inédita contra um país com o qual os EUA têm superávit comercial. Segundo dados do governo americano, este ano, no acumulado até julho, o país teve um superávit de bens e serviços de US$ 4,94 bilhões com o Brasil. Pelos dados do governo brasileiro, que considera apenas mercadorias, a relação entre os dois países passou de um déficit americano de US$ 2 bilhões, nos primeiros sete meses de 2017 para superávit de US$ 3,2 bilhões este ano.

Neste ano, EUA e Brasil já tiveram divergências sobre o aço, que passou a ter cotas de venda. Depois, por pressão de empresas americanas, foi permitido ultrapassar as cotas.

SETORES MAIS VISADOS

A Embaixada do Brasil em Washington não quis comentar a declaração de Trump. Mas vai divulgar, nos próximos dias, um estudo sobre barreiras americanas a produtos brasileiros, como açúcar, algodão, alumínio, camarão, carnes, etanol, milho, soja, tabaco, frutas, lácteos, siderúrgicos e produtos têxteis.

-Esse acordo é importante para o governo americano e vai definir a política de novos acordos que eles estão negociando disse Cassia Carvalho, diretora executivado Brazil-US Business Council da Câmara Americana de Comércio. Mas acredito que, apesar de ele ter citado o Brasil, os EUA têm outras prioridades, como Coréia do Sul e Japão. No futuro, o Brasil pode ser uma prioridade, mas não de imediato. Ela explica que todos sabem que a economia brasileira é fechada, mas o país sempre atraiu investimentos americanos, tanto que o estoque de recursos de empresas dos EUA no país cresceu US$ 3 bilhões no ano passado, a US$ 68 bilhões. Em sua opinião, os americanos hoje olham os setores de defesae construção no país.

Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute e da Universidade Johns Hopkins, afirmou que uma frase isolada de Trump em um discurso é pouco para interpretar como uma tendência de pressão sobre o Brasil:

-Ele falou de passagem sobre o Brasil, um país com o qual eles não têm déficit. No governo brasileiro, a crítica causou surpresa. O secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Abrão Neto, lembrou que os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China:

-Precisamos entender em detalhes qual o contexto e o teor dos pontos de preocupação do governo americano. Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, pode ser sinal de que Trump `pretende fazer alguma coisa dura com o Brasil` ou iniciar uma negociação, Welber Barrai, consultor de comércio exterior, lembrou que empresas americanas investem no Brasil há mais de cem anos e que nenhuma sofreu expropriação. E ressaltou que, excluindo petróleo, cerca de 60% do comércio bilateral são feitos por empresas instaladas nos dois países. Ou seja, se houver barreiras, os americanos serão prejudicados.

Ao anunciar o USMCA, Trump disse que é `o melhor acordo` jáfeito e que traráprogresso e emprego. E mostrou que pretende manter a aposta na guerra comercial:

-Esse é o poder das tarifas. O premier canadense, Justin Trudeau, admitiu que houve concessões, mas garantiu que o acordo vai beneficiar a economia do país.

Colaborou Eliane Oliveira

ENTREVISTA

Maurício Mesquita Moreira, economista

AS ECONOMIAS TÊM COMPLEMENTARIEDADE

Para o economista-chefe para Comércio Exterior do Banco Interamericano de Investimento, Brasil e EUA precisam negociar.

O que os americanos podem querer do Brasil?

Obviamente, lhes interessaria ter melhor acesso à maior economia da América Latina. O Brasil tem uma enorme complementariedade com a economia americana, em especial no setor industrial.

O Brasil ganharia com um acordo com os EUA?

Um acordo com a maior economia do mundo, e com esse nível de complementariedade, não pode ser ignorado. A questão é em que termos. As condições recém-negociadas com o México em propriedade intelectual, por exemplo, não creio que interessem ao Brasil.

Que setores brasileiros poderiam ganhar?

Não me parece que seja relevante colocar essa discussão em termos de quem ganha ou perde. O Brasil tem um interesse claro em aumentar seu acesso aos maiores mercados do mundo.

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