Tom de fala de Bolsonaro na ONU preocupa ministros

Tom de fala de Bolsonaro na ONU preocupa ministros

Auxiliares tentam convencer presidente a usar ‘moderação’

Ministros presentes na comitiva do presidente Jair Bolsonaro em Nova York tentavam até a noite de ontem convencê-lo a usar um tom moderado no discurso que fará hoje na Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU).

A fala do presidente está marcada para as 10 horas, horário de Brasília. O discurso, em linhas gerais, estava pronto, com abertura para alguns improvisos de parte de Bolsonaro. Mas o que preocupava auxiliares era a maneira com que o presidente vai se colocar.

Segundo fontes, Bolsonaro estava propenso a fazer uma defesa eloquente de seu governo, sem fugir de polêmicas. Um tema sensível internacionalmente, e que pode entrar no discurso, é a questão do marco temporal, sob julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) e que pode afetar a demarcação de terras indígenas no país.

Outros tópicos serão meio ambiente, defesa do agronegócio e pandemia. Ao falar de queimadas, que batem seguidos recordes em seu governo, deve mencionar a pior crise hídrica em anos no país. Bolsonaro também quer tocar no tema democracia e “liberdade de expressão”, que vê como central em seu embate com o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Auxiliares entendem que não necessariamente Bolsonaro deva evitar esses temas. Mas defendem que sejam abordados com cautela, diante de uma plateia de chefes de Estado e com os olhos do mundo voltados para o presidente.

Bolsonaro, no entanto, vem afirmando aos ministros que quer “falar algumas verdades” no púlpito das Nações Unidas, o que gera preocupações em sua comitiva e também no Palácio do Planalto.

Um ponto a favor da moderação é a troca do chanceler. Esta será a primeira Assembleia-Geral com Carlos França à frente do Itamaraty. Antes dele, o posto era ocupado por Ernesto Araújo, discípulo do escritor Olavo de Carvalho e tido como um dos mais ideológicos ministros do gabinete de Bolsonaro.

Outro ideológico, o assessor internacional da Presidência Filipe Martins, não viajou a Nova York. Também olavista, ele tinha boa relação com o governo do republicano Donald Trump. Dessa ala mais radical, apenas o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, integra a comitiva.

Além de França e Eduardo, integram a comitiva presidencial em Nova York os ministros Anderson Torres (Justiça), Marcelo Queiroga (Saúde), Joaquim Álvaro Pereira Leite (Meio Ambiente), Gilson Machado (Turismo), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional); o Secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência, almirante Flávio Rocha; e o presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

Ontem, Bolsonaro encontrou o premiê britânico, Boris Johnson, e virou notícia em veículos internacionais ao admitir que não havia se imunizado, enquanto o colega fazia propaganda das vacinas.

“É uma ótima vacina. Obrigado a todos. Tomem as vacinas da AstraZeneca ”, afirmou Johnson. Na sequência, o britânico disse ter tomado as duas doses do imunizante e perguntou ao brasileiro se ele já havia se vacinado.

“Ainda não”, admitiu Bolsonaro.
Após o encontro, o governo britânico disse em nota que Johnson “destacou a importância das vacinas como nossa melhor ferramenta para combater o vírus e salvar vidas ao redor do mundo, e enfatizou a importância do papel que a vacina de Oxford-AstraZeneca desempenhou no Reino Unido, no Brasil e em outros lugares”.

Bolsonaro é o único líder das grandes economias que declara não ter se vacinado. Por isso mesmo, o tema chama a atenção da mídia internacional na passagem dele pelos EUA. Prefeito de Nova York, o democrata Bill de Blasio criticou o presidente por isso.

“Com os protocolos em vigor, precisamos enviar uma mensagem a todos os líderes mundiais, principalmente Bolsonaro, do Brasil, que se você pretende vir aqui, você precisa estar vacinado”, disse o prefeito ontem. “Se você não quer se vacinar, nem precisa vir.”

Na véspera, Bolsonaro comeu uma pizza com ministros do lado de fora de um restaurante. Em Nova York, ele não poderia ficar na área interna sem estar vacinado.

Ontem, Bolsonaro almoçou em uma filial da churrascaria Fogo de Chão. O estabelecimento teve que improvisar um “puxadinho” do lado de fora do restaurante para receber o presidente

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