Temer lança Meirelles; MDB se divide

Temer lança Meirelles; MDB se divide

Presidente confirma que não vai disputar reeleição e diz que opositores da pré-candidatura do ex-ministro à Presidência deveriam sair da sigla

O presidente Michel Temer anunciou ontem a desistência de concorrer a novo mandato e lançou a pré-candidatura do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB) ao Palácio do Planalto. A uma plateia que não escondeu o racha do MDB, Temer pregou a união e disse que quem não concordar em assumir a campanha do ex-chefe da equipe econômica deve deixar a sigla.

Na tentativa de tirar a candidatura do papel, a cúpula do MDB reforçará as articulações para obter apoio de partidos que integram o chamado centrão. Na lista, estão legendas que hoje dão aval ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), como o PP e o Solidariedade. Até agora, porém, as conversas não avançaram.

“Digo, sem medo de errar: o Meirelles é o melhor entre os melhores. Por isso, tem todas as condições de estar não só à frente do partido, mas à frente da nossa campanha eleitoral”, afirmou Temer, em ato político na Fundação Ulysses Guimarães, onde o MDB também lançou o documento “Encontro com o Futuro”, com diretrizes para o programa de governo. “Ficarei orgulhosíssimo se um dia Meirelles for proclamado, pelo voto popular, presidente da República Federativa do Brasil”.

A candidatura do ex-ministro, porém, ainda terá de passar pelo crivo da convenção nacional do MDB, em julho, e, se não decolar, pode ser retirada. O presidente do MDB, senador Romero Jucá (RR), admitiu que Meirelles — hoje com menos de 1% das intenções de voto nas pesquisas eleitorais — tem prazo de 60 dias para crescer.

Impopular, Temer não participará ativamente da campanha nem subirá no palanque dos correligionários. Na noite desta terça-feira, o presidente se reuniu com Meirelles, Jucá e o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, entre outros, para traçar estratégias eleitorais, no Palácio da Alvorada.

Em conversas reservadas, pré-candidatos do MDB nos Estados observam que seria um “suicídio político” colar suas imagens à rejeição do presidente. “Ele vai governar e colaborar da forma que puder. Não tem receita própria”, desconversou Jucá. “O presidente tem sete meses de governo pela frente. Há muita coisa a ser feita e ele estará totalmente dedicado a isso”, emendou Meirelles.

Atualmente, nove diretórios do MDB — entre os quais Alagoas, Ceará e Paraná — são contra a candidatura do ex-titular da Fazenda ao Planalto. Querem que o partido libere os votos para que possam fazer coligações regionais com outras legendas, como o PT, principalmente no Nordeste.

Temer reconheceu o racha na legenda, mas pediu a unidade e disse esperar que Meirelles seja o único candidato no bloco de centro, possibilidade considerada remota até por seus aliados. “Pode haver divergência, que será resolvida pela convenção nacional. Mas dizer ‘Ah, eu não apoio o Meirelles’... Então, que saia do partido!”, disse ele, sem mencionar nomes.

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