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Suécia vai rever investimentos no Brasil por causa da Amazônia

Suécia vai rever investimentos no Brasil por causa da Amazônia

Fundos de pensão do país serão investigados, diz ministro das Finanças. Premier da Noruega, por sua vez, afirma que acordo comercial com o Mercosul vem em um ´péssimo momento´

O governo da Suécia vai investigar os investimentos de seus fundos de pensão públicos no Brasil e em toda a América do Sul por causa dos incêndios na Amazônia, informou ontem o ministro sueco das Finanças, Per Bolund, ao jornal local Dagens Nyheter.

Os chamados fundos AP, com patrimônio de cerca de R$ 650 bilhões, são responsáveis por administrar os recursos para aposentadoria de toda a população sueca.

Já Erna Solberg, primeira-ministra da Noruega, integrante da Associação Européia de Livre- Comércio (Efta, na sigla em inglês), que reúne países fora da União Européia (UE), lamentou o `péssimo momento` do acordo comercial fechado no último dia 23 com o Mercosul, o qual prevê compromissos com meio ambiente, trabalho decente e combate à corrupção.

EMPRESAS NORUEGUESAS CONVOCADAS Desde janeiro, segundo o jornal sueco, os fundos de pensão públicos adotaram novas regras, que os obrigam a considerar a sustentabilidade em suas decisões de investimento.

Agora, de acordo com o ministro, o governo quer saber se os investimentos na América do Sul estão enquadrados nesses critérios. `Os incêndios que se propagam pela Amazônia estão levantando questões sobre os investimentos naquela região`, disse Bolund ao jornal.

`Somos críticos ao fato de o governo brasileiro não assumir suas responsabilidades no Acordo de Paris. Por isso é importante saber quais efeitos os investimentos suecos podem ter.` Bolund não soube estimar o volume de investimentos dos fundos AP que possam estar impactando negativamente a Amazônia.

O ministro também condicionou a ratificação do acordo comercial com o Mercosul ao respeito, pelo Brasil, ao Acordo de Paris. Bolund citou o risco apontado por pesquisadores de que o desmatamento da Amazônia se aproxime do ponto de não retorno, após o qual a situação se deterioraria de maneira irreversível.

A Noruega, por sua vez, convocou representantes de três grandes empresas do país, nas quais o governo tem grande participação acionária e que atuam no Brasil, aprestarem esclarecimentos à ministra de Clima e Meio Ambiente, Ola Elvestuen.

Participaram da reunião, que discutiu os efeitos das queimadas na Amazônia, executivos da petrolífera Equinor, da empresa de fertilizantes Yara e da produtora de alumínio Norsk Hydro. Elas precisam estar conscientes de sua cadeia de suprimentos e ter segurança de que não estão contribuindo para o desmatamento afirmou a ministra.

Também participaram do encontro o fundo de pensão KLP, o maior do país, e ONGs. O KLP, que administra mais de R$ 272 bilhões em ativos, afirmou que está contatando empresas do setor agropecuário nas quais investiu e que tenham negócios com o Brasil para exigir `ações concretas`. O fundo citou as produtoras de defensivos agrícolas Bunge, Cargill e ADM.

Por gerirem volumes enormes de recursos de longo prazo, os fundos de pensão costumam ditar tendências de investimento. Em maio, o KLP anunciou que iria se desfazer de ações da Vale por causa do rompimento, em janeiro, da barragem em Brumadinho(MG).

 

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