Situação social da Argentina é uma bomba-relógio

Situação social da Argentina é uma bomba-relógio

10/09 - 16:30 - A imagem de carros da polícia circulando ao redor da residência presidencial de Olivos, com suas sirenes ligadas, alarmou governo e oposição.

Em meados da década de 1970, a taxa de pobreza da Argentina atingia 4% da população. No começo dos anos 2000, superou os 50%. houve uma recuperação na chamada época de ouro das commodities, mas este ano, segundo projeções de economistas privados, o índice voltaria ao patamar dos 50%. Esse pano de fundo explica, em parte, a revolta policial que pôs o governo do presidente Alberto Fernández em xeque e, para alguns, lembrou até mesmo levantes militares da década de 1980 contra o governo de Raúl Alfonsin.

A imagem de carros da polícia circulando ao redor da residência presidencial de Olivos, com suas sirenes ligadas, alarmou governo e oposição. Foi uma atitude ameaçadora como nunca se tinha visto. E muito menos contra um governo peronista, movimento que, há décadas (com a exceção da última governadora, Maria Eugenia Vidal, aliada ao ex-presidente Mauricio Macri), controla a província de Buenos Aires, onde a rebelião começou.

Claro que existem elementos políticos nessa história. Brigas entre facções do próprio peronismo, por exemplo, e alguns prefeitos que apoiaram as manifestações policiais, na tentativa de se fortalecerem diante do governador Axel Kicillof, considerado um dos mais fortes soldados do exército de aliados da vice-presidente Cristina Kirchner. Também esteve em jogo o próprio poder de Cristina que, finalmente, conseguiu que o presidente retirasse por decreto recursos da cidade de Buenos Aires, governada por um macrista. Dessa maneira, a poderosa vice argentina boicotou o bom relacionamento de Fernández com o chefe de governo portenho, Horacio Rodríguez Larreta, uma parceria que é vista como uma ameaça por Cristina.

Tudo isso e mais fatores explicam a delicada situação em que foi colocado o presidente argentino, que terminou cedendo diante das demandas dos policiais. As conclusões são várias: a situação social da Argentina é uma bomba-relógio; o poder interno de Fernández é limitado e a linha dura de Cristina, na hora H, pesa mais. Unidos, os três elementos permitem traçar vários cenários para o curto e médio prazo. Todos mostram uma Argentina profundamente instável em termos políticos, sociais e econômicos.

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