Setor externo é outra trava para aceleração da economia neste ano

Setor externo é outra trava para aceleração da economia neste ano

Depois de ter retirado 0,5 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018 primeira contribuição negativa desde 2013 , o volume de importações de bens e serviços deve crescer mais do que as exportações em 2019 novamente, avaliam economistas. Assim, a expansão do PIB será garantida pela demanda interna.

Analistas ponderam que, em meio a um processo de retomada, é normal que o setor externo tenha desempenho negativo, uma vez que a reativação do consumo e dos investimentos eleva importações. Desta vez, porém, a dinâmica já conhecida será influenciada também por compras contábeis de plataformas de petróleo, enquanto o ambiente de desaceleração da economia global, guerra comercial entre EUA e China e recessão na Argentina pesa negativamente sobre as exportações brasileiras.

Bráulio Borges, economistasênior da LCA Consultores e pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), destaca a importância da crise argentina no pífio crescimento do Brasil em 2018. Em abril do ano passado, observa, o consenso de mercado para a alta do PIB ao fim do ano era de 2,9%, mais do que o dobro do ritmo observado (1,1%). Em seus cálculos, o colapso da economia argentina explica quase metade da frustração.

Historicamente principal destino das vendas externas de manufaturados nacionais, o país vizinho reduziu fortemente as compras no ano passado, tendência que deve persistir no ano corrente, ainda que em menor magnitude, diz Borges.

O Ibre calcula que, entre janeiro de 2018 e de 2019, a fatia argentina no total de exportações brasileiras caiu de 7,1% para 3,7%, com recuo de 44% nas vendas para o mercado argentino. Outro fator que retraiu o setor externo em 2018 foram as importações contábeis de plataformas de petróleo, como conseqüência das novas regras do programa Repetro, de incentivo tributário ao setor de óleo e gás. Após as mudanças, esses bens passaram a ser considerados como investimentos em capital fixo e, por isso, foram importados, mesmo já estando no país, o que explica parte da expansão de 8,5% das importações no PIB, observa o economista.

Considerando que em 2019 essas operações contábeis vão ocorrer, mas em menor volume, a LCA estima alta de 5,6% das importações e de 5% das exportações na média do ano, o que resulta em contribuição negativa de 0,1 ponto do setor externo ao PIB. `Mas esse número tem um viés de baixa`, pondera Borges. Para o Ibre, as exportações vão avançar 6% neste ano, e as importações, 6,7%. Assim, o setor externo deve retirar 0,1 ponto do PIB no período, aponta o pesquisador Livio Ribeiro, para quem o efeito de importação das plataformas também será observado em 2019.

A diminuição dos embarques para a Argentina deve ter peso menor neste ano devido à base de comparação fraca de 2018, diz Ribeiro, movimento que, sozinho, já eleva as exportações para o país. Por outro lado, a perspectiva para o comércio global como um todo segue difícil. Mesmo que a guerra comercial entre EUA e China seja resolvida, há uma defasagem entre o fim das tensões e a volta à normalidade do fluxo de exportações e importações mundiais, diz.

`É muito difícil que vejamos alguma melhora do comércio global pelo menos até meados do ano`, avalia o pesquisador. Como o Brasil é uma economia relativamente fechada, há pouco impacto por aqui em termos de volume, mas os preços das exportações brasileiras, concentradas em commodities, caem. A China é a principal compradora das matérias-primas brasileiras, que explicam cerca de 70% dos nossos preços de exportação. Assim, quando a economia chinesa desacelera, a relação entre preços de exportação e importação no Brasil piora.

Nas estimativas do Ibre, os termos de troca devem cair 6% em 2019, recuo que poderá ser maior se a perda de fôlego do PIB chinês for mais forte. A redução dos termos de troca seria outro impacto negativo sobre o crescimento brasileiro neste ano, embora não afete a contribuição do setor externo, observa Ribeiro. `Quando os termos de troca caem, ficamos mais pobres`, diz o pesquisador, que destaca a relação positiva entre cotações de commodities e o desempenho do consumo das famílias e dos investimentos produtivos. `O cenário global é ruim.

Não é por meio das exportações que a economia vai crescer mais`, concorda josé Carlos Faria, economista-chefe do BNP Paribas, para quem a contribuição do setor externo no PIB será próxima de zero em 2019. `As variáveis fundamentais para a recuperação serão o consumo e o investimento.` Nas projeções do banco Fibra, a absorção doméstica soma do consumo, dos investimentos e dos gastos do governovai crescer ligeiramente acima da alta prevista para o PIB, de 1%.

Economista-chefe da instituição, Cristiano Oliveira avalia como favorável essa dinâmica de crescimento já verificada em 2018. `Não temos muito o que fazer quando o mundo está crescendo menos, mas no que depende somente do país estaremos crescendo`, disse, destacando a melhora do mercado de trabalho, ainda que lenta, e a manutenção da taxa de juros em nível baixo.

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