Senadores dos EUA pedem que Biden advirta Bolsonaro para 'sérias consequências' se houver ruptura democrática no Brasil

Senadores dos EUA pedem que Biden advirta Bolsonaro para 'sérias consequências' se houver ruptura democrática no Brasil

20:17 - Em carta, parlamentares expressaram temores sobre as alegações 'cada vez mais perigosas' do brasileiro a respeito das eleições de 2022

Quatro influentes senadores democratas americanos alertaram o presidente Joe Biden, nesta terça-feira, para o “declínio democrático” no Brasil sob Jair Bolsonaro, pedindo que ele advirta o brasileiro para "sérias consequências" caso haja uma ruptura da democracia no país antes das eleições de 2022.

“Pedimos que deixe claro que os Estados Unidos apoiam as instituições democráticas do Brasil e que qualquer ruptura antidemocrática com a ordem constitucional atual terá sérias consequências", disseram os senadores em carta ao secretário de Estado, Antony Blinken.

Os senadores — entre eles Dick Durbin, número dois na liderança do Partido Democrata no Senado, e Bob Menéndez, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Casa — expressaram temores a respeito das alegações "cada vez mais perigosas" de Bolsonaro sobre as eleições de 2022, nas quais ele planeja se candidatar à reeleição.

Bolsonaro, que era um dos principais aliados internacionais do ex-presidente Donald Trump, já disse que o Brasil poderia ver cenas semelhantes às de 6 de janeiro em Washington, quando apoiadores do republicano invadiram o Capitólio, na tentativa de evitar a certificação da vitória de Biden nas eleições presidenciais de 2020 nos EUA.

O presidente brasileiro também já afirmou inúmeras vezes, sem provas, que o sistema de votação é suscetível a fraudes e declarou que se recusará a admitir a derrota se perder, afirmando que “só Deus pode me tirar da Presidência”.

“Esse tipo de linguagem imprudente é perigosa para qualquer democracia, mas é especialmente imerecida em uma democracia do calibre do Brasil, que por décadas se mostrou capaz de facilitar transferências pacíficas de poder”, escreveram os senadores.

Eles também mencionaram os "ataques pessoais" de Bolsonaro a membros do Supremo Tribunal Eleitoral (STE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), destacando que eles ameaçam minar o Estado de direito.

"Nossa associação com o Brasil deve ser um baluarte contra atores antidemocráticos, de China e Rússia a Cuba e Venezuela", disseram os senadores a Blinken, instando-o a tornar o apoio à democracia brasileira "uma prioridade diplomática", incluindo em fóruns como a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico).

O Brasil foi declarado "aliado extra-Otan" dos EUA por Trump e pede o apoio americano para entrar na OCDE, o chamado "clube dos ricos".

Em fevereiro, o senador Bob Menendez já havia enviado uma carta ao presidente Bolsonaro afirmando que o relacionamento com o Brasil sairia prejudicado se o governo brasileiro não condenasse a “incitação à violência e os ataques contra a democracia americana” quando o Capitólio foi invadido. Bolsonaro, que foi um dos últimos líderes mundiais a reconhecer a vitória de Biden, nunca o fez.

Até o momento, porém, o governo Biden tem sido discreto em suas declarações públicas sobre Bolsonaro.

Blinken se reuniu na semana passada, paralelamente à Assembleia Geral das Nações Unidas, com o chanceler brasileiro Carlos Alberto França, em um compromisso que, segundo um funcionário do Departamento de Estado, buscou encorajar Bolsonaro, cético em relação às mudanças climáticas, a elevar as metas do Brasil contra o aquecimento global.

O Brasil será um ator crucial para o planeta na cúpula do clima da ONU em Glasgow, em novembro, devido ao papel da Amazônia como captadora de gás carbônico

Bolsonaro, cujo índice de aprovação caiu em parte devido ao grave surto de Covid-19 no país, disse que há "chance zero de um golpe" no Brasil, embora alguns apoiadores tenham pedido aos militares que intervenham para mantê-lo no poder.

— Não vou atrapalhar a eleição, podem ficar tranquilos — disse Bolsonaro em entrevista publicada na sexta-feira na revista Veja.

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