Senado rejeita indicado de Bolsonaro para delegação permanente junto à ONU

Senado rejeita indicado de Bolsonaro para delegação permanente junto à ONU

22:23 - Nome de Fabio Mendes Marzano foi barrado em plenário por 37 votos a 9 após divergência com senadora Kátia Abreu (PP-TO) sobre meio ambiente

BRASÍLIA - Por 37 votos a 9, o Senado barrou nesta terça-feira a indicação do embaixador Fabio Mendes Marzano como delegado permanente do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, na Suíça. A decisão foi vista como uma derrota ao presidente Jair Bolsonaro e ao ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores). Esta é a primeira rejeição de um diplomata na gestão atual.

Um dia antes, Marzano teve o nome aprovado por unanimidade na Comissão de Relações Exteriores (CRE) da Casa. Na ocasião, no entanto, ele protagonizou um embate com a senadora Kátia Abreu (PP-TO), após ter se recusado a responder como a imagem ambiental do Brasil prejudicava a assinatura do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia.

Marzano, que está atualmente na Secretaria de Assuntos de Soberania Nacional e Cidadania do Itamaraty, afirmou que não responderia porque a delegação em Genebra "não se ocupa de temas ambientais".

- O Conselho dos Direitos Humanos é o principal organismo. Então, as temáticas estão mais relacionadas com os direitos humanos. Há, em Genebra, alguns mecanismos, mas são subsidiários, como, por exemplo, a Convenção de Minamata sobre Mercúrio e a Convenção para a Proteção da Flora e da Fauna, mas a delegação não se ocupa do acordo União Europeia. Então, se a senhora me permite, eu não estaria mandatado para opinar aqui sobre o acordo Mercosul-União Europeia, porque tampouco é uma atribuição da minha secretaria atual no Itamaraty negociar esse acordo - declarou.

Diante da insistência da parlamentar para que respondesse, Marzano voltou a dizer que não se pronunciaria sobre o assunto:

- De fato, a minha Secretaria, no seu portfólio, cuida de temas de meio ambiente, mas eu não sou o responsável pelo acordo Mercosul–União Europeia, portanto, não me cabe me pronunciar sobre esse acordo.

A senadora, então, afirmou que o Itamaraty “está virando uma casa dos terrores, onde os embaixadores não podem abrir a boca e dar as suas opiniões". Ela chegou a fazer um protesto para reverter o seu voto favorável ao diplomata, mas foi informada que isto não seria mais possível.

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