Sem Trump, Bolsonaro fica órfão na geopolítica

Sem Trump, Bolsonaro fica órfão na geopolítica

16:13 - Jair Bolsonaro enfrenta uma enorme dificuldade para entender que a "Era Trump" chegará ao fim em 20 de janeiro. Seu comportamento na reunião dos BRICS foi de um líder que ainda imagina ter o amparo dos EUA. Se é que em algum momento teve, uma vez que o atual presidente americano nunca deu importância ao brasileiro.

Com a chegada de Joe Biden à presidência dos EUA daqui dois meses, Bolsonaro estará praticamente órfão de aliados. Na Europa Ocidental, já é visto como um pária. Sua imagem é tóxica. Macron, Merkel, Sánchez, Conte e Boris Johnson querem distância do brasileiro e seu negacionismo.

Putin nunca demonstrou interesse por Bolsonaro. A ditadura chinesa é pragmática, mas certamente não deve estar feliz com sinais de sinofobia do presidente do Brasil. Na América Latina, mesmo líderes de centro-direita como Piñera (Chile), Duque (Colômbia) e Lacalle Pou (Uruguai) não querem associar seu nome ao brasileiro.

Benjamin Netanyahu teve interesse em Bolsonaro para questões de política doméstica em Israel. Mas ficou decepcionado com o brasileiro por não cumprir a promessa de transferir a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém. Não vale a pena para o premier israelense ter seu nome ao lado de uma pessoa negacionista da pandemia e do aquecimento global. Afinal Bolsonaro não é presidente dos EUA. É do Brasil. Além disso, Netanyahu já iniciou a transição para ter boas relações com Biden. Sabe que Trump estará em Mar-a-Lago e não na Casa Branca.

As ditaduras árabes, por sua vez, não são exatamente aliadas de Bolsonaro. Querem ter um bom comércio e ponto final. Com as nações da África, o presidente do Brasil nunca desenvolveu relação.

Sobram os líderes de extrema direita Orbán (Hungria) e Duda (Polônia). Estes até tem um certo diálogo com Bolsonaro. Mas são países pequenos e pouco comercializam com o Brasil.

Enfim, Bolsonaro é hoje quase um órfão na geopolítica.

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