Salles chega à Cúpula do Clima alegando que Brasil emite 3% de gases, mas desmatar Amazônia gera bomba de carbono

Salles chega à Cúpula do Clima alegando que Brasil emite 3% de gases, mas desmatar Amazônia gera bomba de carbono

19:31 - Especialistas afirmam ainda que derrubada da floresta prejudica o Brasil, além de contribuir de forma relevante para o aquecimento global

RIO - O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, chega à Cúpula de Líderes sobre o Clima argumentando que o Brasil não é “vilão do planeta” porque é supostamente responsável por uma fatia pequena das emissões mundiais de gases do efeito estufa. No entanto, o desmatamento da Amazônia — principal responsável no Brasil por essas emissões — é uma potencial bomba com o avanço do desmatamento e contribui de forma relevante para o aquecimento global, afirmam especialistas.

Eles explicam que a Floresta Amazônica retém nas árvores e no solo uma quantidade equivalente a todo o carbono emitido pelo planeta nos últimos dez anos. No entanto, o avanço do desmatamento, explica Márcio Astrini, secretário-executivo do coletivo de ONGs Observatório do Clima, levará o bioma a um colapso e, assim, ela se tornará uma bomba de emissão de gases estufa.

— Nesse momento, ela liberará sozinha o carbono acumulado. E aí o Brasil passará a emitir 10%, 15%, 20% de todo o carbono mundial. Mas, principalmente, todo o esforço para reter o aquecimento global terá sido em vão — afirma Astrini.

No começo de abril, Salles afirmou que o país espera ajuda para "pagar uma conta que não é nossa", referindo-se aos maiores emissores segundo os números mais recentes, de 2018, que foram a China (26,1%), os Estados Unidos (12,67%), os 27 países da União Europeia, que juntos representam 7,52%, a Índia, com 7,08%, e a Rússia, com 5,36%. Nesse lista, o Brasil é o sexto maior emissor.

Segundo Astrini, o desmatamento brasileiro gira em torno da faixa de 3%. Em alguns anos, chegou a 2%. Em outros, subiu para 8%. Na avaliação dele, a participação brasileira na emissão de gases estufa deve crescer em 2020 devido à queda de emissão de outros países do mundo e ao aumento do desmatamento no país.

— Mas esse não é nem o caso. Primeiro que 3% é relevante. Essa história de irrelevância a gente já viu o que aconteceu quando o presidente chamou a Covid-19 de uma gripezinha. O fato é que as emissões do Brasil são extremamente perigosas, pois elas são decorrentes da destruição da Amazônia.

Na gestão de Salles, o desmatamento do bioma tem batido recordes históricos. E, segundo Márcio Astrini, pesquisas apontam que o momento do colapso da Amazônia não está muito distante.

— Estudos do professor Carlos Nobre apontam que isso acontecerá quando o desmatamento atingir algum ponto entre 20% e 25%. Atualmente, já foi desmatado 20% do bioma. Ou seja, estamos à beira do precipício — afirma.

Astrini explica que, além da Amazônia, há outros biomas com potencial de serem bombas de gases do efeito estufa no planeta, como os oceanos, onde os corais retêm uma enorme parcela do carbono emitido na atmosfera, e as geleiras da Groenlândia.

Paulo Moutinho, cientista sênior e cofundador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), afirma que a taxa de 3% não isenta o Brasil de responsabilidade em relação ao clima. Além disso, ele questiona:

— E daí que somos 3% das emissoõs globais? O maior prejudicado do desmatamento no Brasil são os brasileiros, especialmente os da Amazônia. Ela é o sistema gigante de irrigamento do agronegócio do país, que responde por 20% do PIB nacional. Se o Salles e o governo não se importam com o clima, vamos fazer a redução das emissões para salvar a nossa galinha de ouro.

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