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Saldo comercial cai 20%, para US$ 46,7 bilhões, o menor valor desde 2015

Saldo comercial cai 20%, para US$ 46,7 bilhões, o menor valor desde 2015

A economia brasileira está em clara trajetória de recuperação sustentável, puxada pelo consumo das famílias e do investimento privado, disse Ferraz. Para 2020, o governo projeta crescimento do PIB de 2,3%, aproximadamente o dobro do esperado para 2019.

Em um cenário de menor crescimento da economia mundial e de queda nas vendas para parceiros importantes, como China e Argentina, a balança comercial brasileira terminou 2019 com o pior saldo para o período em quatro anos. No ano passado, o resultado ficou em US$ 46,7 bilhões, o mais baixo desde 2015, e 19,6% abaixo dos US$ 58 bilhões do ano anterior queda de 20,5% na média diária.

O pior desempenho foi puxado pelas exportações, que somaram US$ 224 bilhões no ano, queda de 7,5% sobre o mesmo período do ano anterior, pela média diária. Já as importações totalizaram US$ 177,3 bilhões, recuo de 3,3%. Os dados foram divulgados ontem pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia.

Em apresentação dos dados, o secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz, afirmou que o objetivo do governo do presidente Jair Bolsonaro não é a obtenção de saldos comerciais, mas o aumento da corrente de comércio soma das exportações e das importações.

Não há país que seja um grande exportador e não seja também um grande importador, mesmo a China e os EUA, disse ele. No ano passado, a corrente de comércio foi de US$ 401,4 bilhões, uma queda de 5,7% na comparação com o resultado obtido em 2018.

O secretário afirmou que a meta é aumentar o grau de integração do país, visando o aumento da produtividade, o crescimento da atividade econômica e a geração de empregos e renda. Segundo ele, a relação entre a corrente de comércio e o Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil é de cerca de 24%, bem abaixo da verificada em países de porte similar. No México, fica acima de 70%, no Chile, acima de 30%, afirmou.

Ferraz destacou que a dinâmica do comércio internacional vem caindo desde o início dos anos 2000, mas que hoje é observado um aumento no nível de incerteza na economia mundial devido a fatores como o Brexit (a saída do Reino Unido da União Europeia) e a guerra comercial entre China e EUA. Segundo ele, o crescimento do comércio mundial no ano passado foi o menor desde 2009, na esteira da crise financeira.

Ele afirmou também que o desempenho das vendas brasileiras para o exterior foi prejudicado por choques de curto prazo. Entre eles, destacou a crise argentina, com impacto de US$ 5,2 bilhões sobre as vendas de manufaturados. Citou também a crise da peste suína na China, com impacto negativo de US$ 6,7 bilhões sobre as exportações de soja. Nem de longe isso compensou o aumento nas vendas de carnes, afirmou.

Na metade do ano passado, o governo projetava que o saldo da balança comercial ficaria em cerca de US$ 56 bilhões. A estimativa mais recente indicava US$ 42 bilhões. As projeções oficiais para o comércio exterior em 2020 serão divulgadas apenas em abril, quando o cenário estiver mais desenhado. Ferraz disse, no entanto, que o crescimento mais forte da atividade econômica esperado para este ano deve elevar a demanda por bens do exterior, pressionando o saldo da balança comercial para baixo. A mediana das projeções dos analistas consultados pelo Banco Central (BC) é de um superávit comercial de US$ 39,4 bilhões neste ano.

A economia brasileira está em clara trajetória de recuperação sustentável, puxada pelo consumo das famílias e do investimento privado, disse Ferraz. Para 2020, o governo projeta crescimento do PIB de 2,3%, aproximadamente o dobro do esperado para 2019.

Já o menor dinamismo no comércio internacional, avaliou o secretário, veio para ficar. Ferraz reforçou, no entanto, que a tendência de queda nas tensões entre EUA e China, se confirmada, poderá melhorar esse cenário, beneficiando tanto a economia brasileira quanto a mundial.

O secretário afirmou que 2019 foi um ano de inflexão para o país no que diz respeito à política comercial. Segundo ele, o objetivo é concluir até julho o acordo comercial Mercosul-Canadá e até dezembro os acordos Mercosul-Coreia, Mercosul-Cingapura e Brasil-México.

Ele citou também que o governo pretende finalizar neste ano uma agenda não tarifária com os EUA e iniciar negociações com Japão, Indonésia e Vietnã. Índia é uma possibilidade, completou. Dentro do Mercosul, os planos incluem a continuidade do debate sobre a modernização da TEC, a inclusão do setor automotivo no Mercosul, avanços na agenda de convergência regulatória e debates sobre a inclusão do setor de açúcar no bloco.

Mariana Ribeiro e Estevão Taiar

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