Rússia rejeita países ricos no banco dos Brics

Rússia rejeita países ricos no banco dos Brics

Emergentes Moscou é contra a adesão de países que lhe impõem sanções

A expansão do banco dos Brics a novos sócios, na sua estratégia de se tornar um `global player`, está sendo retardada por causa de uma diferença de visão entre a Rússia, de um lado, e o Brasil e a China de outro, conforme o Valor apurou.

Única manifestação concreta de poderio econômico coletivo dos Brics (Brasil, Rússia, índia, China e África do Sul), o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), como é batizado oficialmente, tem na sua estratégia para 2017-2021 atrair novos sócios com diferentes estágios de desenvolvimento e tamanho, para reforçar o capital. Porém, o presidente russo, Vlaclimir Putin, rejeita a entrada de países desenvolvidos que impõem sanções econômicas à Rússia.

Essas sanções foram adotadas pela União Européia (UE) e pelos EUA em julho de 2014, depois reforçadas em setembro, em resposta a ações de destabilização atribuídas à Rússia no leste da Ucrânia e à anexação da Crimeia, considerada ilegal. Os EUA visivelmente não têm interesse em entrar no banco do Brics, ainda mais com o isolacionismo de Donald Trump.

Mas excluir a Europa complica a ambição do banco. A Suíça, que não faz parte da UE e é um dos maiores centros financeiros do mundo, explora a possibilidade de entrar como sócio, assim como Luxemburgo, outro grande centro financeiro e membro da UE, ambos atraídos por Pequim. A China e o Brasil defendem que o banco seja inclusivo.

Quanto mais países economicamente fortes atrair, maiores as chances de o banco obter um rating melhor no cenário internacional, de reduzir o custo de capital e poder emprestar mais e em melhores condições para projetos de desenvolvimento sustentável. Em Hamburgo, à margem da cúpula do G-20, o presidente do conselho de diretores do banco, Marcello de Moura Estevão Filho, secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, afirmou ao Valor que o interesse `é que todos façam parte desse projeto`, inclusive para fazer o banco ser um protagonista global, como é a ambição do projeto original. Na América Latina, o Chile e o Peru mostram interesse em entrar como sócios.

A Argentina já esteve mais entusiasmada sob Cristina Kirchner do que com Maurício Macri na Presidência. A Colômbia disse `não` nos contatos iniciais, e o México mostrou surpreendente interesse retórico. A idéia é atrair grandes emergentes também na Ásia, como a Indonésia. Em sua estratégia para os próximos anos, a diretoria do banco sinaliza que, embora esteja aberta a países desenvolvidos, a entidade permanecerá governada por emergentes, e que as políticas, projetos de seleção e relacionamento com clientes refletirão isso.

Embora rejeite países desenvolvidos no banco, a Rússia diz querer reforçar o Brics para aumentar o seu peso político no cenário global. Em fevereiro, o chanceler russo, Sergei Lavrov, sugeriu ao seu então colega brasileiro, José Serra, agregar outros países sem que eles sejam efetivados como membros, pelo menos inicialmente, formando uma espécie de `Brics Plus`. Chegaram a mencionar Argentina, Indonésia e Malásia.

Negociadores dizem, porém, que um `Brics plus` como um processo de expansão do grupo não está na mesa. O que existe e já é tradicional é uma sessão de `outreach` como parte da cúpula dos líderes. Cada país na presidência rotativa escolhe um grupo de nações que são convidadas para uma simples sessão de diálogo coreografado sem grandes conseqüências práticas. Para a cúpula do Brics, que ocorrerá entre 3 e 5 de setembro em Xiamen, a China convidou México, Tailândia, Egito e outros países, mas ainda não confirmou oficialmente essas participações.

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