"A RENÚNCIA FOI UMA QUESTAO DE FÉ. NAO HOUVE BALAS´"

Entrevista a Luis Fernando Camacho, líder do comitê cívico de santa cruz

"A RENÚNCIA FOI UMA QUESTAO DE FÉ. NAO HOUVE BALAS´"

O líder do movimento cívico que ajudou a derrubar Evo Morales, Luis Fernando Camacho, disse ao GLOBO que a sucessão presidencial foi constitucional.

- O novo governo não é reconhecido no exterior. Há bloqueios, ameaças de paralisar o país. Quão complexa é a situação?

- Primeiro, tivemos uma luta pacífica em todo o território nacional, todos os mortos foram do nosso lado. Nosso lema era tirar esse governo porque o presidente disse que iria embora quando existisse um morto. E os mortos na cidade de Montero eram jovens do MAS. As medidas se intensificaram, e este povo se aferrou à fé, a cadeias de oração, colocamos as esperanças em Deus e fizemos o compromisso de deixar a Bíblia e a carta (de renúncia de Morales) e cumprimos. Deixamos ambas coisas e 15 minutos depois ele (Morales) renunciou. Esta foi uma questão de fé. Não ouve balas, houve um povo mobilizado pacificamente e ele (Morales) saiu pacificamente. A sucessão foi constitucional.

- Mas falta reconhecimento internacional...

- Há dúvidas sobre alguém que assumiu pela renúncia pública de todos, presidente, vice e presidentes das duas casas do Parlamento. Renúncias públicas. Agora, a comunidade internacional não a quer reconhecer (a nova preesidente, JeanineAnez). E porque reconheceram um presidente que violou a Constituição, exilou gente, assassinou gente? existe uma incoerência dos países de esquerda. A Bolívia não importa para eles.

- Não são apenas os países de esquerda...

- O mundo está como está por funcionar em função a interesses. Argentina tem uma posição porque (o presidente Maurício Macri) está de saída, é um pedido de Cristina (Kirchner). Existem dívidas, contratos, aqui operam interesses mais do que soberania.

- O Chile tampouco reconhece...

- Todos, todos têm um interesse. O único que se viu obrigado a atuar como deve ser foi Almagro (o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro) porque viu um povo mobilizado. Os países preferem jogar, só pensam em seus interesses e os contratos dos quais formou parte Evo Morales.

- O Brasil foi um dos poucos que reconheceram rapidamente...

- O presidente brasileiro, seu governo, tem posição clara e objetiva. O homem (Bolsonaro) tem mais princípios, isso está claro. O homem (Bolsonaro) viu, porque quando fomos visitar o chanceler (Araújo), eles entenderam o que estava acontecendo. viagens, ele não estava. Como o senhor avalia os questionamentos sobre a posse deJeanine?

- O senhor esteve com o chanceler?

- Sim, claro. Ele tem as informações completas do que se fez, da violação da Constituição por parte de quem estava no governo. Ele sabe tudo o que se passa. Eles têm as informações em primeira mão.

- E com Bolsonaro?

- Sim, mas quando eu fui houve um cruzamento de A sucessão é imediata, o país não pode ficar sem governabilidade. Devem assumir porque assim o determina a Constituição.

- Mas questiona-se a falta de quorum...

- Por segurança dos parlamentares, fomos buscá-los onde estavam. Por isso demorou. Chegamos a formar quorum no Senado. A Constituição é clara, e havia senadores do MAS.

- O senhor seria candidato em eleições?

- Se meu nome for colocado, pensarei.

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