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Relação com China vive ´primavera diplomática´, diz Marcos Caramuru

Relação com China vive ´primavera diplomática´, diz Marcos Caramuru

Haveria ambições econômicas `pouco factíveis` nos dois lados, como o uso do renminbi, a moeda chinesa, em transações bilaterais e garantias de estabilidade às exportações brasileiras.

Ainda que à sombra da aproximação entre o governo brasileiro e os Estados Unidos de Donald Trump, a relação com a China vive uma inesperada primavera diplomática, afirma o diplomata Marcos Caramuru, embaixador do Brasil na China no governo Michel Temer. Na mesa, entretanto, haveria ambições econômicas `pouco factíveis` nos dois lados, como o uso do renminbi, a moeda chinesa, em transações bilaterais e garantias de estabilidade às exportações brasileiras.

Com relação ao alinhamento ideológico com os EUA, Caramuru diz que o governo chinês não tem demonstrado insatisfação e se fia na atitude pragmática do governo brasileiro até aqui. Entretanto, acadêmicos chinesesque costumamreproduzir as impressões das autoridades têm expressado preocupação com o compromisso brasileiro em abandonar o status de `nação em desenvolvimento`, mantido pela própria China, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). A mudança, que implica a perda de vantagens em trocas comerciais, foi um pleito de Washington para apoiar a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico(OCDE).

Avista grossa de Pequim se deveria, também, à agenda diplomática recheada, que envolve dois encontros presidenciais até o fim do ano: Jair Bolsonaro viajara à China, em outubro e, no mês seguinte, o chinês Xi Jinping virá ao Brasil por ocasião da cúpula do Brics. Além disso, houve a retomada do Diálogo Esüatégico de Chanceleres, em julho, e a reativação dos trabalhos da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concentração e Cooperação (Cosban) pelas mãos do vicepresidente Hamilton Mourão, cuja visita à China em maio, ainda no primeiro semestre do governo, foi encarada como sinal de deferência.

Caramuru, que mora em Xangai, onde mantém uma consultoria de negócios há mais de seis anos, avalia que as interações políticas entre os dois países são as `mais intensas dos últimos governos`, numa espécie de esforço bem-sucedido para neutralizar as preocupações do Partido Comunista Chinês e de empresários com relação a uma possívelniptura por parte do novo governo brasileiro. Ainda em campanha, Bolsonaro dissera que a China estaria tentando `comprar o Brasil` e chegou a visitar Taiwan, ponto mais delicado da política externa chinesa, que nega a soberania da ilha. A conduta inspirou preocupações no governo chinês, acadêmicos e investidores, mas o cenário foi habilmente revertido na visão de Caramuru.

Em recente publicação do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Caramuru afirma que o principal pleito do Brasil continua sendo a estabilidade das exportações agrícolas por meio de reserva de mercado ou aumento de unidades industriais, sobretudo pecuaristas, habilitadas a exportar para a China. Mas o pedido vai de encontro à estratégia chinesa de diversificar suas fontes por maior segurança alimentai`. Na visãode Caramuru, qualquer acordo nesse sentido teria impacto maior no mercado de carnes, uma vez que, com o acirramento da guerra comercial com os EUA, não há alternativa ao Brasil para importações de grãos. `Eles [chineses] vão buscar diversificar as compras de soja, plantai` na Ucrânia, na Rússia e na própria China. Têm países como Canadá, Argentina e Paraguai, mas o volume não vai ser suficiente para atender a demanda Para o diplomata, é improvável que a guerra comercial tenha desfecho próximo, nem tanto pelo aspecto comercial, que acredita ser de de fácil resolução, mas pelas exigências dos EUA de que a China modifique políticas públicas de subsídio e propriedade intelectual, o que não vai acontecer. Ao Brasil, o lado chinês pretende um maior uso das moedas nacionais nas transações bilaterais a fim de reduzir riscos cambiais. Os chineses pedem também a adoção do renminbi como uma das moedas de reserva do Brasil. Hoje, mais de 20% das compras chinesas no mundo são pagas em moeda local, opção comum em países europeus, onde há demanda natural pelo renminbi, reaproveitado em investimentos na China. No Brasil, investimentos como a subscrição de `panda bonds` ainda são raros e, por isso, a adoção da moeda não estaria no horizonte.

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