Refino no país atrai mais os grupos chineses

Refino no país atrai mais os grupos chineses

Em vigor desde o início do mês, a nova política de preços dos combustíveis da Petrobras, com ajustes diários, mais aderente ao mercado internacional, é considerada fator de atratividade para a entrada de novos investidores no setor de refino brasileiro. As principais petroleiras privadas do país, porém, ainda são tímidas com relação à possibilidade de investir em refino no Brasil. Os maiores acenos privados para o setor de refino brasileiro têm vindo da Ásia

Neste mês, o Valor apurou que a CNPC, sócia da Petrobras em Libra, negocia com a estatal uma parceria para a retomada das obras da refinaria do Comperj, no Rio de Janeiro.

A negociação se dá no âmbito do memorando de entendimentos assinado pelas duas empresas no início do mês. Uma primeira análise indicava que grandes petrolíferas globais, conhecidas como `majors`, já instaladas no Brasil e que possuem produção crescente cie petróleo no país, inclusive no présal, fossem naturalmente as principais candidatas a adquirir ou construir refinarias aqui.

Diante disso, abre-se mais espaço para os chineses. Como hoje não há novos projetos do tipo em construção no Brasil, o país deverá aumentar a importação de derivados de petróleo, com a provável retomada da economia nos próximos anos. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), da produção nacional de petróleo, de 2,65 milhões de barris diários, as empresas privadas respondem por 22%. A tendência é de aumento desse percentual no futuro, com a maior participação das companhias sobretudo no pré-sal.

Ao mesmo tempo, há uma perspectiva de aumento da importação de derivados de petróleo nos próximos anos por não haver novos projetos de refino atualmente no país. `Não temos projetos de refinaria em andamento. Se a economia crescer, a demanda de derivados vai crescer. Vamos ter que importar derivados. E numa escala crescente ser mais exportadores de petróleo e importadores de derivados`, diz o diretor-geral da ANP, Décio Oddone. `Mesmo existindo capacidade de refino ociosa no mundo, vai fazer sentido econômico, em determinado momento, se pensar em ampliação da capacidade [de refino no Brasil]`, completou ele, explicando que os custos de frete de exportação de óleo e importação cie derivados superam a margem de refino.

Em âmbito global, no entanto, as grandes petroleiras têm reduzido investimentos em refino e se concentrado em exploração e produção (E&P), devido ao cenário atual. `Hoje, algumas não têm braço de distribuição [de combustíveis] no Brasil`, acrescenta Adriano Pires, diretor cio Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Um exemplo foi a saída da ExxonMobil do setor de distribuição de combustíveis cio brasileiro, em 2008. A Shell, maior petroleira privada do país em produção de petróleo, cerca de 300 mil barril diários (ou 11,2% da produção brasileira), não descarta investimentos em qualquer segmento da indústria petrolífera, mas reforça que sua prioridade no Brasil é o E&P. `A Shell está sempre atenta a oportunidades de aprimorar seu portfólio em todo o mundo.

No entanto, neste momento, a prioridade da Shell no Brasil é exploração e produção de petróleo, especialmente em águas profundas`, informou a Shell, em nota, ao Valor. A múlti tem 20% do campo gigante de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos. Os demais sócios são Petrobras (40%), Total (20%) e as chinesas CNPC (10%) e CNOOC (10%). A postura da Shell é semelhante à da norueguesa Statoil, que também tem atuação relevante no setor de E&P do país. `Para a Statoil, o segmento de refino não é prioridade no momento, já que o foco da empresa é em E&P e no mercado de gás`, informou a companhia.

Neste mês, a Statoil anunciou a compra de 10% da QGEP no bloco BM-S-8, oncle está o prospecto de Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos, por US$ 379 milhões, ampliando sua fatia na área para 76%. Em 2016, a empresa já havia adquirido 66% da Petrobras no negócio (o primeiro clesinvestimento da estatal no pré-sal), por US$ 2,5 bilhões. Os demais sócios são Petrogal Brasil (14%) e Barra Energia (10%). Outra importante empresa com participação no pré-sal, a espanhola Repsol não tem atividade de refino atualmente no Brasil, apesar de ter sido a única privada a investir no setor 20 anos atrás quando ficou com 30% da Refap (RS) em uma troca de ativos com a Petrobras na Argentina. A empresa também teve participação na refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro.

Ressaltando que não tem dados para falar sobre refino no país, o presidente da Repsol Sinopec Brasil, Leonardo Junqueira, lembrou que a empresa tem participação relevante na Península Ibérica. Quando questionado sobre o possível interesse em uma volta ao setor no Brasil, ele disse que preferia se abster de comentar o assunto. O ex-diretor-geral da ANP e consultor David Zylbersztajn, diz que a nova política de preços da Petrobras abre um leque de possibilidades de investimentos privados no refino no país. A opinião é a mesma de Renato Kloss, sócio do setor regulatório e de infraestrutura do Siqueira Castro Advogados. Para ele, a intervenção na prática de preços dos combustíveis no passado, tanto para cima quanto para baixo, ainda que pudesse ter algum fundamento, era artificial.

Rodrigo Polito e Cláudia Schiiffner

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