Recuperação do turismo patina na América Latina

Recuperação do turismo patina na América Latina

México tem retomada, mas Chile e Argentina devem demorar por conta das restrições. Caribe vê início de recuperação com retorno parcial de cruzeiros

O turismo internacional na América Latina ainda deve demorar para se recuperar. Apesar de o impacto ter sido menor do que na Europa e na Ásia, a região deve ser uma das últimas a ver o setor a retomar o nível pré-pandemia dado o número de infecções ainda alto, vacinação lenta e restrições a viajantes em alguns países.

Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), da ONU, por causa do turismo regional, o continente americano exibe números melhores de retomada do setor, embora sigam bem distantes dos níveis pré-crise da covid-19. O indicador de recuperação do turismo da OMT mostra que a atividade de turismo estava 72% abaixo do nível pré-pandemia no continente, em maio - último dado disponível. No Caribe está 60% abaixo do nível de 2019, enquanto na América do Sul está 75% menor.

Na Ásia a atividade de turismo está 95% menor, e na Europa, 81% menor, por conta de extensos lockdowns e restrições mais rígidas a turistas estrangeiros.

Como o número de infecções na América Latina ainda está alto, há não apenas o medo de contaminação, mas restrições a viagens, obrigatoriedade de quarentenas em alguns países, falta de voos e de cruzeiros. Hoje a recuperação do setor se fortalece no México, que não fechou fronteiras para turistas estrangeiros, e começa a ganhar corpo no Caribe, com a retomada parcial dos cruzeiros. Mas ainda encontra dificuldades no Chile, com quarentena obrigatória para turistas internacionais e restrições internas, e Argentina, fechada para a maior parte dos estrangeiros.

De acordo com a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas (Unctad), em 2020 a Argentina recebeu 69% menos visitantes internacionais do que em 2019, e o Chile, 73% menos. O Equador recebeu 75% menos, e o México, menos 46%.

“O México tem um ‘revival’ antecipado porque teve menos restrições e porque não proibiu voos de outros países. Hoje há muitos turistas que estão vacinados que querem viajar e não têm para onde ir”, diz Joan Domene, da consultoria Oxford Economics.

“O Brasil teve limitações de voos e locais, mas Argentina e Chile estão suspendendo as restrições para conter a covid-19 muito lentamente, o que ainda deve impactar a recuperação do setor de turismo. O mesmo vale para Colômbia e Peru”, acrescenta Domene.

O setor perdeu participação no PIB dos países da região de forma brutal em 2020. No México, passou de 15% do PIB para 8,5%, segundo dados do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, na sigla em inglês). Na Argentina foi de 9,4% para 6,5%. Em Cuba, de 10,2% a 5,7%. No Brasil, de 7,7% a 5,5%.

Nos países caribenhos, o impacto foi maior. Em Belize, por exemplo, passou de 37,3% para 16,2%. O Caribe foi particularmente atingido pela suspensão dos cruzeiros no ano passado.

Estimativa da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) mostra que, em2020, a subregião deixou de receber US$ 1,6 bilhão com turistas de cruzeiros. O setor retoma as operações aos poucos, mas com capacidade reduzida.

O mesmo ocorre em locais icônicos da América do Sul. Alguns pontos reabriram neste ano, mas a um ritmo muito abaixo do habitual. Machu Picchu, por exemplo, recebe hoje pouco menos de 900 visitantes diários, ante 5.000 que costumava ter antes.

A expectativa é que o turismo comece a se recuperar de maneira mais sustentada em dezembro em toda a América Latina. “O grande teste será o inverno no hemisfério norte. No verão, europeus, americanos e canadenses preferem ficar perto de casa. Mas no inverno não”, diz Carlos Mussi, diretor da Cepal em Brasília.

Mussi afirma que no início do ano a previsão era de uma volta à normalidade entre agosto e setembro, mas agora espera-se uma retomada a partir de dezembro. “A persistência da segunda onda na região atrasou essa recuperação. Além disso, o efeito positivo da vacinação nos EUA e na Europa só está começando a ser sentido agora”, diz.

Ele argumenta que a dificuldade para o turismo nos países latino-americanos será a vacinação local. Com exceção do Chile e do Uruguai, os países mais avançados na imunização contra a covid-19 não chegaram a 20% da população totalmente imunizada.

“Veremos uma recuperação lenta e sensível às variações do vírus”, diz. Ele acrescenta que essa retomada dependerá também de acordos entre países e padronização internacional de documentos, como passaportes covid e certificados de vacinas aceitos.

Em relatório de junho, a Unctad afirmou que apenas países com alto nível de vacinação estarão aptos para atrair turistas. O impacto no turismo, diz o documento pode derrubar até 2,4 do PIB da Argentina, 2,3 do da Colômbia, 11,9 do da América Central e Caribe.

A Cepal estima que, no pior cenário, as perdas no setor de turismo por conta da pandemia entre 2020 e 2022 podem chegar a US$ 75,3 bilhões no Caribe e a US$ 72,4 bilhões na América do Sul.

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino