´Ramagem na PF afetaria a credibilidade do governo´

´Ramagem na PF afetaria a credibilidade do governo´

Ex ministro afirmou que Bolsonaro disse em janeiro que quería nomear Alexandre Ramagem como director – geral da PF

O ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública Sérgio Moro foi ouvido no sábado, na sede da Polícia Federal em Curitiba. A seguir, os principais trechos do depoimento do ex-juiz da Operação Lava Jato.

INTERFERÊNCIA. Questionado sobre sua definição de interferência política do Poder Executivo em cargos de chefia na Polícia Judiciária, Moro respondeu que entende que seja uma interferência sem uma causa apontada e portanto arbitrária.

SUPERINTENDÊNCIA DO RIO. Segundo o ex-ministro, durante o período em que esteve à frente do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, houve solicitações do presidente da República para substituição do superintendente do Rio de Janeiro, com a indicação de um nome por ele, e depois para substituição do diretor-geral da Polícia Federal, e, novamente, do superintendente da Polícia Federal no Estado do Rio, que teria substituído o anterior, novamente com indicação de nomes pelo presidente. Em uma ocasião, Bolsonaro disse, conforme o depoimento: Moro, você tem 27 superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro.

DEMISSíO.

O ex-juiz da Lava Jato reafirmou à PF no sábado que a tentativa de interferência política na Polícia Federal o levou a pedir demissão do cargo. Ao anunciar sua saída do governo, o objetivo de seu pronunciamento foi preservar autonomia da Polícia Federal e mostrar que a substituição de diretor-geral e de superintendentes foi sem causa e com desvio de finalidade.

INDICADO.

Moro citou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que suspendeu a posse do delegado Alexandre Ramagem como mais um indicativo dessa interferência política.

CRIMES.

Indagado se identificava nos fatos apresentados em sua coletiva alguma prática de crime por parte do presidente da República, Moro esclareceu que os fatos ali narrados são verdadeiros, mas não afirmou que o presidente teria cometido algum crime. Quem falou em crime foi a Procuradoria-Geral da República na requisição de abertura de inquérito, declarou Moro, para quem a avaliação quanto à prática de crime cabe às instituições competentes.

MAURÍCIO VALEIXO.

O ex-ministro relatou que o presidente Jair Bolsonaro passou a insistir na substituição do diretor da PF, Maurício Valeixo, e que essa pressão foi, inclusive, objeto de diversas matérias na imprensa.

ALEXANDRE RAMAGEM.

De acordo com o depoimento, em janeiro deste ano, Bolsonaro disse que gostaria de nomear para o comando da corporação o delegado Alexandre Ramagem na ocasião, disse Moro, eventualmente o general Heleno se fazia presente e que esse assunto era conhecido no Palácio do Planalto por várias pessoas. Moro afirmou ainda que o fato de Ramagem manter ligações próximas com a família do presidente poderia afetar a credibilidade da Polícia Federal e do próprio governo, prejudicando até o presidente, já que, para o exministro, isso seria uma interferência política na PF.

INVESTIGAÇÕES.

O ex-ministro foi questionado sobre se as trocas solicitadas estavam relacionadas à deflagração de operações policiais contra pessoas próximas ao presidente ou ao seu grupo político. Moro respondeu que desconhece, mas observou que não tinha acesso às investigações enquanto ainda evoluíam. Moro repetiu que Bolsonaro lhe relatou verbalmente no Palácio do Planalto que precisava de pessoas de sua confiança, para que pudesse interagir, telefonar e obter relatórios de inteligência. A afirmação do presidente de que não recebia informações ou relatórios de inteligência da Polícia Federal não é verdadeira, declarou o ex-juiz no depoimento.

MINISTROS MILIARES.

De acordo com Moro, quando Bolsonaro afirmou que demitiria Valeixo, pediu que reconsiderasse, mas que, se isso não ocorresse, ele seria obrigado a sair e a declarar a verdade sobre a substituição. O presidente lamentou, mas disse que a decisão estava tomada, afirmou o ex-ministro. Em seguida, Moro declarou que se reuniu com os ministros militares Augusto Heleno, Braga Netto e Luiz Eduardo Ramos para relatar a reunião com Bolsonaro e os pedidos do presidente de obtenção de relatórios de inteligência da PF.

GENERAL HELENO.

O ministro Heleno afirmou que o tipo de relatório de inteligência que o presidente queria não tinha como ser fornecido, mencionou o ex-juiz. Os generais, segundo Moro, se comprometeram a tentar demover o presidente, mas logo vazou que Valeixo seria substituído. Saiu a publicação (da exoneração), o que tornou irreversível a demissão.

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