´Rali do mercado não torna sinal do Copom defasado´

´Rali do mercado não torna sinal do Copom defasado´

O diretor de política econômica do Banco Central, Fábio Kanczuk, disse ontem em um webinar que a mensagem de política monetária da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) não está desatualizada, a despeito da recente melhora dos mercados financeiros.

Conforme publicado ontem pelo Valor, analistas econômicos estão reforçando a aposta em cortes mais profundos da taxa Selic depois do alívio em preços de ativos, como o CDS, dólar e curva de juros futuros. Mas Kanczuk disse que o BC já esperava uma certa melhora.

`Vemos grandes mudanças nos preços de ativos desde a última reunião do Copom`, disse ele, em um evento da American Chamber of Commerce. `Mas não diria que isso muda as coisas no nosso arcabouço.`

Segundo ele, o BC tem que analisar dois canais em que a pandemia afeta a inflação: a atividade econômica e o risco fiscal. `lemos uma forte queda na demanda e aumento da poupança precaucionária, e isso afeta o hiato do produto e pede uma taxa Selic mais baixa`, afirmou ele. `De outro lado, temos um aumento do risco fiscal, o que significa um juro neutro mais alto, que pede uma taxa Selic mais alta.`

Segundo Kanczuk, o Copom tem que avaliar esses dois fortes impactos `e encontrar a política monetária ótima`. `De certa forma, não é óbvio que a comunicação [ de política monetária do Copom] esteja defasada`, afirmou.

`Qua lido a gente compara preços [de ativos| agora e antes, o ponto é que já tínhamos alguma expectativa de que as coisas iriam melhorar um pouco`, afirmou o diretor do BC. `Então eu diria que não é tão óbvio que as coisas melhoraram em relação ao que então esperávamos [ na última reunião do Copom].`

O Copom disse em ata divulgada em maio que vê limites para a queda da taxa de juros e comunicou que, para a sua reunião deste mês, poderá fazer um corte na Selic não maior do que 0,75 ponto percentual, o que em tese poderia levar essa taxa dos atuais 3% ao ano para 2,25% ao ano.

No webinar, Kanczuk disse que não considera `2,25% como um lira ite escrito na pedra, algo fixo que temos que ter na mente e não podemos cruzar`. No entendimento dele, esse é o nível até o qual a Selic poderia baixar, levando em conta os dois fatores principais na análise do Copom, o alto nível de ociosidade da economia e o possível aumento da taxa neutra de juros.

`[O percentual de ] 2,25%, na minha cabeça, estava mais relacionado a pensar na política monetária levando em consideração o hiato do produto e a taxa de juros neutra, não como um limite de política monetária por causa do ´zero lower bound´`, disse.

De acordo com Kanczuk, o Brasil é muito diferente dos Estados Unidos, que chegou ao limite de política monetária e teve que fazer uso de instrumentos não convencionais, como a operação twist. `Estamos muito longe do ´zero lower bond´ e podemos continuar a fazer política monetária como de costume usando a taxa Selic.`

Segundo ele, como o Brasil ainda pode usar a Selic para estimular a economia, uma eventual compra de títulos públicos usando pode res recentemente concedidos pelo Congresso teria apenas o objetivo de estabilidade financeira. `É análogo ã intervenção no mercado de câmbio. O BC age apenas para o mercado funcionar.`

Kanczuk citou, ainda, a possibilidade de a autoridade monetária comprar dólares no futuro, `Se a gente ver que o mercado está um pouco estressado, nós vendemos um pouco (cie reservas], e talvez no futuro se os mercados ficarem excessivamente otimista, vamos comprar um pouco`, disse Kanczuk, respondendo a uma questão sobre o nível ideal de reservas internacionais, e não a uma pergunta direta sobre se a queda do dólar nos últimos dias demandaria uma intervenção da autoridade monetária.

`Não há nenhum objetivo em termos de reduzir a quantidade de reservas`, disse ele. `Nós estamos atuando de forma apenas a melhorar o funcionamento dos mercados. Mas, quando o fazemos, fazemos com pequenas quantidades. Então esses volumes não são grandes o suficiente para se preocupar com o volume de reservas corno fração do PIB.`

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