Radicalismo antiambiental estimula lobby contra o acordo Mercosul-UE

Radicalismo antiambiental estimula lobby contra o acordo Mercosul-UE

Editorial - Política de Bolsonaro se torna pretexto para programas protecionistas de cartéis europeus

O Parlamento Europeu produziu uma análise sobre os riscos ambiental, econômico e comercial do bloco caso venha a ser ratificado o acordo de livre comércio com o Mercosul.
O informe “Brasil e a Selva Amazônica”, com referências laterais ao Chaco argentino-boliviano, questiona a política ambiental do governo Jair Bolsonaro e a falta de vigor no monitoramento privado de exploração racional da floresta, mantido por Unilever, Cargill, McDonald’s e Carrefour, entre outras empresas.
O relatório merece ser criticado em aspectos como o da avaliação conceitual sobre soberania e interesse comum da Humanidade. Mas isso não é essencialmente relevante, até porque não há como questionar direitos brasileiros sobre fronteiras estabelecidas há mais de um século e de forma pacífica, algo que a Europa até hoje não conseguiu.
Importa, sim, e muito mais, a mensagem política do documento ao tratar como vinculantes instrumentos como o Acordo de Paris e a Convenção da ONU sobre o Clima. Tem-se aí a colisão frontal com a política ambiental e a diplomacia sob Bolsonaro.
Há uma reafirmação do argumento que estimula líderes regionais como Bernd Lange, presidente do comitê de Comércio, para insistir na não-ratificação do acordo com o Mercosul. A crítica ambiental ao Brasil se torna o motor de um lobby por mais subsídios no âmbito da nova Política Agrícola Comum (2021 a 2027).
Em síntese, o radicalismo antiambientalista do governo Bolsonaro está se tornando pretexto de cartéis europeus de alimentos para um programa protecionista, de substituição de importações de proteínas hoje adquiridas no Brasil e na Argentina. Aproveita-se o consenso crítico sobre a crescente devastação da Amazônia, estimulado pela insensatez governamental, cujos porta-vozes são os ministros Ricardo Salles, do Meio Ambiente, e Ernesto Araújo, das Relações Exteriores.
Haveria margem de negociação no acordo Mercosul-UE, dado o interesse da chanceler alemã Angela Merkel. A dificuldade está na insistência do governo brasileiro em queimar pontes para o diálogo sobre a Amazônia, como se pode ver nas recentes críticas pessoais de Bolsonaro a Merkel.
A psicopatia da guerra a todos só aumenta temores das empresas brasileiras de agronegócio sobre eventual taxação das exportações à Europa. Prova disso está no fracasso do ministro Salles e do secretário Nabhan Garcia, da Agricultura, em articular um manifesto doméstico de apoio à política ambiental. Grandes exportadores preferiram o silêncio.

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