Quem é o deputado brasileiro que será sócio de Trump

Quem é o deputado brasileiro que será sócio de Trump

16:49 - Descendente da antiga família real, Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP) fez carreira no mercado financeiro e como empreendedor antes de ingressar na política

O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump tem um parceiro conhecido do eleitor brasileiro em sua empreitada mais recente: o deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP). Em parceria com uma empresa da qual o parlamentar é diretor financeiro, a Digital World Acquisition, o republicano almeja lançar uma empresa midiática para tentar recuperar o megafone político que perdeu ao ser banido das redes sociais após incitar a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro.

Deputado de primeiro mandato, o bolsonarista lançou-se na vida política catalisado por sua árvore genealógica. Como o sobrenome mostra, descende da antiga família real brasileira: é bisneto do príncipe Luís de Orléans e Bragança (1880–1920) e trineto da princesa Isabel (1846-1921). Príncipes e princesas, contudo, ficaram para a História quando o Brasil tornou-se uma República em 15 de novembro de 1889.

Em 132 anos, ele é o primeiro descendente direto de Dom João VI a chegar ao Congresso, eleito com 118,4 mil votos. Chegou a ser cotado para ser candidato a vice de Bolsonaro, mas foi preterido por Hamilton Mourão — casamento que, quase um ano após chegar ao Planalto, durante sua saída do PSL, o presidente disse se arrepender de não ter firmado, segundo uma reportagem de 2019 da Folha de São Paulo.

A parceria com Trump não é de todo surpreendente: em maio, Orleans e Bragança lançou um "livro-manifesto pela liberdade de expressão na internet" e contra as grandes empresas de tecnologia que "tem a falsa premissa de defesa da democracia". Chamada "Antes que apaguem: sem desculpas, sem isenção, sem censura... por enquanto", a obra é guiada por uma coletânea de seus tuítes e compara a moderação nas redes sociais a uma "caça às bruxas ou Inquisição do século XXI".

De acordo com o parlamentar, "a liberdade de expressar ideias e opiniões está sob ataque" devido às empresas do Vale do Silício e fatores como "políticas de identidade" — pautas que envolvem assuntos como gênero e raça para "desastabilizar sociedades" pondo questões pessoais na frente das coletivas. Ao comemorar o acordo firmado na quarta, ele disse que a rede social prometida por Trump surge para "combater a tirania das Big Techs" e "incentivar uma conversa global aberta, livre e honesta".

Após usar suas plataformas para incitar a invasão do Capitólio e tentar impedir a confirmação da vitória do democrata Joe Biden, Trump recebeu um veto vitalício do Twitter e uma suspensão de ao menos dois anos do Facebook. Vários perfis alinhados à extrema direita também tiveram suas contas suspensas por promoverem violência e discurso de ódio, moderação impulsionada após as cenas vistas em janeiro nos EUA.

Carreira no mercado
O deputado, um dos alvos do inquérito das fake news no Supremo Tribunal Federal, dedica um capítulo inteiro da obra para falar de seu novo sócio: lá defende os questionamentos do republicano à lisura do sistema eleitoral americano, mesmo sem qualquer evidência de fraude. Uma seção é dedicada inteiramente a elogiar as políticas econômicas liberais de Trump, especialmente a reforma fiscal que permitiu a redução de impostos para as empresas.

Formado em Administração de Empresas na FAAP e mestre em Ciências Políticas pela Universidade Stanford, o deputado é egresso do mercado. Fez carreira no exterior, trabalhando na multinacional francesa Saint-Gobain e nos bancos de investimento JPMorgan, em Londres, e Lazard Freres, em Nova York, nos anos 1990. No início dos anos 2000, foi também diretor de desenvolvimento de negócios da America Online (AOL) na América Latina.

Nos últimos anos, virou empreendedor, fundando duas empresas no Brasil: a Ikat, que trabalha no ramo de distribuição de autopeças, e a incubadora de tecnologia Zap Tech. Na eleição de 2018, declarou ter R$ 5,7 milhões em bens, em sua maioria aplicações de renda fixa.

Em uma entrevista à coluna Broadcast do jornal Estado de São Paulo em julho, o deputado disse que o convite para participar da Digital World Acquisition partiu de um investidor e que suas funções não representam um conflito de interesse com suas atividades parlamentares. Segundo ele, “muitos deputados têm fazendas, são médicos, advogados, têm suas próprias atividades. A minha é de investidor”.

Segundo documentos apresentados às autoridades americanas, Orleans e Bragança teria uma participação ínfima no empreendimento nos EUA, com menos de 1% das ações, que dispararam após o anúncio do acordo. O parlamentar, contudo, esteve pessoalmente presente para firmar o pacto, e postou em suas redes sociais uma foto ao lado de Trump.

Nova Constituição
No Brasil, o político deverá ter meses corridos pela frente, tendo sido escolhido no início do mês como relator da proposta de emenda à Constituição (PEC) que busca aumentar o número de ministros do Supremo Tribunal Federal de 11 para 15. A retomada do projeto, que foi apresentado em 2013 mas nunca saiu da Comissão de Justiça da Câmara, é impulsionada por aliados do presidente em meio à sua rixa com o Judiciário.

Orleans e Bragança, que ganhou projeção no cenário político nacional durante os protestos pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, é um crítico do funcionamento da instância mais alta do Judiciário brasileiro. Em 2019, chegou a dizer que “não são necessários milhares de terroristas gerando caos nas ruas quando o STF sozinho é capaz de estragos muito maiores” — um dos tuítes que constam em seu livro.

“As ruas pedem impeachment de ministros do STF. É uma necessidade para a evolução do nosso sistema político. Sem esse passo, nenhuma outra evolução será possível”, diz uma postagem de três meses antes.

O parlamentar diz ver negativamente o aumento do número de juízes do tribunal, citando seu impacto tributário, mas avalia que a proposta é em boa parte positiva e pode impulsionar uma de suas maiores agendas: sua Constituição “Libertadora”, cujo projeto, elaborado por uma equipe de juristas e especialistas, foi apresentado no dia 2 de setembro.

No projeto, ele defende, entre outros pontos, a criação de um sistema parlamentarista com a figura de um chefe de Estado, com direito a veto, como no parlamentarismo, similar ao Poder Moderador criado por Dom Pedro I na Constituição de 1824. A Carta atual brasileira, de 1988, no entanto, determina que somente uma Assembleia Constituinte formada por representantes eleitos pelo povo pode escrever uma nova Constituição.

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