Protestos fazem Chile cortar projeção de crescimento

Protestos fazem Chile cortar projeção de crescimento

América do Sul Comércio e turismo estão sendo bastante prejudicados

Os intensos protestos no Chile estão pesando negativamente na economia e levaram o governo chileno a reduzir a projeção de crescimento para este ano.

Ontem o novo ministro da Fazenda do Chile, Ignacio Briones, disse que o índice mensal de atividade econômica (Imaec) pode ter contração de 0,5% em outubro, ante o mesmo mês do ano passado, após alta de 3% em setembro, por conta dos protestos. Para o ano, a projeção de crescimento passou de 2,6% para entre 2,2% e 2%.

O Chile já vinha dando sinais de desaceleração por conta da guerra comercial entre EUA e China, o que fez os chineses demandarem menos commodities, como o cobre. A revisão feita pelo governo ontem, porém, deve-se aos protestos que tiveram início em 18 de outubro.

`Isso é explicado pelo tempo de trabalho perdido, interrupções nas cadeias de produção e perda de confiança que afeta investimentos`, afirma Felipe Camargo, da consultoria Oxford Economics. A consultoria rebaixou sua previsão de crescimento do Imaec de 1,9% em novembro e agora espera queda de 0,3%.

Os protestos devem tirar 1,5 ponto percentual do crescimento do último trimestre do ano, afirma Patrício Rojas, da consultoria Rojas Jimenez & Asociaclos Economistas, em Santiago, `Esperamos agora que a economia cresça em torno de 1,7% no último trimestre, contra mais de 3% que esperávamos antes`, diz. `Para o ano, a estimativa é de expansão de até 2,2%.`

Ontem os protestos continuaram em Santiago e outras cidades. Os manifestantes pedem uma reforma da Constituição de 1980 e mudanças nos serviços básicos, da saúde à Previdência e educação.

A Cruz Vermelha do Chile estima o total de feridos nos protestos em mais de 2.500. A Câmara de Comércio de Santiago afirma que foram saqueados mais de 384 supermercados mais de um quarto do total no país. Estudo da câmara mostra que as perdas do comércio chegam a USS 1,4 bilhão, sendo USS 908 milhões com saques.

Nas últimas semanas, hotéis viram 40% de suas reservas para a p rimavera e o verão serem cancela das,segundo a Federação de Empresas de Turismo do Chile (Fedetur). Os gastos com turismo usando cartões de crédito e débito caíram 36% entre 18 e 27 de outubro, segundo a Câmara de Comércio.

O cancelamento da reunião de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) e da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2019 (CoP 25), que ocorreriam em novembro e em dezembro, custará ao setor de turismo USS 25 milhões, de acordo com a Fedetur.

Nas duas últimas semanas, a arrecadação do imposto sobre valoragregado (IVA)caiu 25%, na comparação mensal, afirma a economista Cecilia Cifuentes, da Universidade Católica do Chile.

Ontem o sindicato da ENAP-Petrox, que representa trabalhadores da refinaria no sul da província de Bío Bío, anunciou no Facebook que seus membros entrariam em greve, no âmbito dos protestos que começaram há mais de duas semanas. Não ficou claro quanto tempo a greve dura ria.

`É difícil fazer projeções, pois ainda não recuperamos o clima de normalidade`, diz Cecilia. `Um evento dessa magnitude gera muita incerteza. Os impactos não serão apenas no curto, mas nas decisões de médio e longo prazo.`

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