Protesto de policiais eleva tensão política na Argentina

Protesto de policiais eleva tensão política na Argentina

19:52 - Sem liderança clara, protestos começaram após anúncio de novo plano de segurança para província de Buenos Aires

O governo do presidente argentino, Alberto Fernández, está desde a última segunda-feira às voltas com uma revolta de agentes da polícia da província de Buenos Aires, que exigem reajustes salariais e que, com suas manifestações, provocaram protestos em outras províncias argentinas. Nesta quarta-feira, um grupo de policiais se reuniu em frente à residência oficial de Olivos, numa atitude questionada duramente pelo governo e por alguns representantes da oposição, entre eles o prefeito da capital, Horacio Rodríguez Larreta.

O protesto não tem uma liderança clara e começou depois de o presidente ter anunciado, na sexta passada, um novo plano de segurança para a província de Buenos Aires, a mais importante do país, que não incluiu aumentos salariais. Os policiais exigem, entre muitas outras coisas, reajustes entre 35% e 60%. Nesta quarta, enquanto carros policiais circulavam ao redor da residência presidencial tocando suas sirenes, o presidente convocou os manifestantes ao diálogo. Mas a proposta foi rejeitada, por falta de consenso entre membros das forças de segurança que aderiram às manifestações.

Em sua conta na rede social Twitter, o chefe de Estado argentino afirmou que “os problemas devem ser enfrentados e resolvidos em paz e com sensatez”. Fernández convocou o governador da província de Buenos Aires, o kirchnerista Axel Kicillof, para uma reunião de emergência, junto com alguns prefeitos.

No início da noite, Fernández fez um pronunciamento ao país, no qual afirmou que “buscaria uma solução, mas sem aceitar que continuassem aquele tipo de protesto”.

— Nem tudo está permitido na hora de reclamar — disse o presidente.

Outros membros do governo, entre eles o chanceler Felipe Solá, também repudiaram as manifestações: “A polícia é um corpo de civis armados, preparados para proteger os civis desarmados. A legitimidade de pedir um aumento salarial deixa de ser tal quando essa condição é usada para extorquir o Estado".

Nos últimos 12 meses, a Argentina acumulou uma inflação de 41%, segundo projeções de economistas privados. O último aumento dos policiais na província de Buenos Aires foi em dezembro de 2019, o que implica, atualmente, uma enorme perda de poder aquisitivo. O governo Fernández teme que este seja o primeiro de vários protestos salariais, num país que caminha para ter uma taxa de pobreza em torno de 50% (na década de 70 era de apenas 4%), e deve sofrer queda do PIB acima de 10% em 2020, por causa da pandemia da Covid-19.

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino