Projeções agropecuárias da China para próximos anos são recado ao Brasil

Projeções agropecuárias da China para próximos anos são recado ao Brasil

Documento lançado pelos chineses indica redução das importações de grãos e proteínas

O Brasil deve encarar as novas projeções de produção, de consumo e de importações de agropecuários do Ministério da Agricultura da China como um recado para os próximos dez anos.

A mina pode estar secando, quando se trata de produtos tradicionais exportados pelos brasileiros para os chineses. Outras portas, porém, estão se abrindo, mas o Brasil ainda não tem esses setores suficientemente desenvolvidos.

Lígia Dutra, diretora de relações internacionais da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), diz que o China Agricultural Outlook 2021-2030, documento lançado pelos chineses no primeiro semestre deste ano, é importante para os brasileiros porque é uma visão dos próprios asiáticos de como caminhará o setor agropecuário nos próximos dez anos.

O mercado é dinâmico e muda conforme as exigências de momento, mas o documento serve para alertar os produtores nacionais sobre as novas necessidades chinesas e sobre como eles podem se preparar para os próximos anos, diz Lígia.

A alimentação é uma questão de segurança para os chineses, e a preocupação aumentou ainda mais com os eventos recentes no país, como influenza aviária, peste suína africana e Covid-19.

O documento ressalta a necessidade de profissionalização do setor para melhorar o abastecimento interno. Não descarta, porém, a necessidade da complementação externa.

Os produtores brasileiros deverão ficar atentos a algumas mudanças de tendências, principalmente em dois itens importantes para o país: grãos e proteínas.

O ritmo das importações chinesas nesses itens deve cair. O volume total de compras de soja, que aumentou 91% na década passada, vai ter evolução inferior a 10% na próxima.

Neste ano, a estimativa de importação de soja pela China é de 103 milhões de toneladas. Em 2030, serão 110 milhões, conforme dados elaborados pela CNA e pelo InvestSP, com base no documento chinês, divulgado em maio.

Sendo que a produtividade da soja por hectare vem melhorando, Brasil, Estados Unidos e Argentina vão colocar no mercado um volume maior de produção na mesma área cultivada.

Clima favorável em algumas regiões produtoras e aumento de área permitiram que a oferta mundial de soja subisse de 340 milhões de toneladas, em 2019/20, para 363 milhões, no ano seguinte.

No período 2021/22, deverá atingir 385 milhões, segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos EUA). A China é, de longe, a maior importadora do mundo. E o Brasil, o maior fornecedor.

O milho, uma cultura em que o Brasil vem se destacando nas últimas safras, não terá um amplo mercado na China em dez anos.

Os chineses consideram essa lavoura essencial para o país, principalmente com a busca de uma maior produção de proteínas, e vão elevar o volume produzido do cereal para 332 milhões de toneladas.

Com isso, as importações, que devem ficar próximas de 20 milhões de toneladas neste ano, recuam para 6,5 milhões em 2030.

O aumento da produção de proteínas, no entanto, vai colocar os chineses na dependência de importações de grãos para a produção de ração. O volume deverá ter um crescimento anual de 3,7%, atingindo 362 milhões de toneladas em 2030.

As chances para as exportações de proteínas, um setor em que o Brasil teve grande evolução nos anos recentes, diminuem. As compras externas chinesas de carne suína caem dos 4,4 milhões de toneladas no ano passado para 1,18 milhão em 2030. As de carne de frango recuam de 1,55 milhão para 650 mil no mesmo período.

A urbanização e o crescimento da renda da população vão gerar uma demanda maior por proteínas. Se os chineses conseguem elevar a produção de carnes suína e de frango, não têm a mesma capacidade para o aumento da produção de carne bovina.

Neste setor, o Brasil poderá manter boas vendas para a China, uma vez que as importações da proteína bovina vão crescer 13%, atingindo 2,4 milhões em 2030.

Outra commodity favorável ao Brasil será o açúcar. O produto é estratégico para a China, mas a produção chinesa terá evolução muito pequena. Em 2030, com o aumento do consumo, as importações subirão para 5,5 milhões de toneladas.

A indústria brasileira açucareira será favorecida também pela busca, por parte de vários países concorrentes, de programas alternativos para a redução da emissão de gases de efeito estufa.

Ao incluírem o álcool em seus programas, esses países deixam mais espaço para os brasileiros no fornecimento mundial de açúcar. O Brasil já tem um programa desenvolvido e bem adaptado.

Lígia, da CNA, diz que os sinais de que os chineses querem uma diversificação das importações estão claros no documento. Com maior renda e a busca por uma alimentação melhor, lácteos, frutas, legumes, ovos e pescado terão mais espaço nas compras externas chinesas.

As importações de lácteos devem crescer 3,5% ao ano, atingindo 25,6 milhões de toneladas em 2030. As de fruta, também com crescimento constante, irão a 17,5 milhões.

Previsões nem sempre são confirmadas, mas podem indicar uma tendência.

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