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Produtos básicos já são mais da metade das exportações

Produtos básicos já são mais da metade das exportações

Conjuntura Fatia atingiu 52,8% do total, a maior cia série iniciada em 1997

Com o agronegócio, o minério de ferro e o petróleo sustentando o superávit comercial brasileiro, as exportações de produtos básicos atingiram em 2019 um novo marco. Pela primeira vez desde 1997, início da atual série histórica, a categoria representou mais da metade das vendas do país ao exterior.

Em 2019, os básicos responderam por 52,8% das exportações, ante 49,8% em 2018. Itens manufaturados, de maior valor agregado, viram a participação cair de 36% para 34,6%. Já a categoria de semimanufaturados, que também inclui commodities (como celulose e açúcar), manteve a fatia estável em 12,7%.

O ganho de terreno dos produtos básicos ocorre apesar de as exportações da categoria terem apresentado queda em valor. Em 2019, somaram US$ 118,2 bilhões, ante US$ 119,2 bilhões no ano anterior. Considerando a média diária, o recuo foi de 2%. As outras categorias, porém, caíram mais. No grupo dos manufaturados, a retração foi de 11%, para US$ 77,5 bilhões, enquanto as vendas de semimanufaturados recuaram 8%, a US$ 28,4 bilhões.

Ana Luisa Mello, economista da LCA Consultores, diz que o aumento da participação dos produtos básicos é uma tendência de prazo mais longo, mas que se intensificou nos últimos anos. Na categoria, 2019 foi marcado por queda na soja e aumento nas carnes, segundo ela. Principal produto da pauta de exportações, a soja perdeu participação (de 13,8% em 2018 para 11,8% em 2019) em meio ao recuo dos preços internacionais e da menor demanda chinesa, após a peste suína dizimar rebanhos no país asiático. Em 2019, as exportações de soja em grãos somaram US$ 26,3 bilhões, uma queda de 21,3%, pela média diária.

Na direção oposta, mas em um movimento também influenciado pela epidemia na China, as exportações de carnes ganharam peso. A participação da carne bovina, por exemplo, cresceu de 2,3% para 2,9% entre 2018 e 2019, e as vendas subiram 17,6% na média diária, atingindo US$ 6,5 bilhões no ano passado, Os embarques de carne suína, por sua vez, cresceram 35,8%, atingindo US$ 1,5 bilhão.

O milho foi outro item básico que ganhou espaço. A participação nas exportações mais que dobrou, de 1,6% em 2018 para 3,3% em 2019. Em valores, as vendas somaram US$ 7,4 bilhões, uma alta de 86,4% ante o ano anterior, na média diária. O Brasil teve uma safra boa em 2019, sobrava no mercado interno, mas havia escassez global, e com o câmbio competitivo foi um ano bem favorável para o país, diz Fabio Silveira, diretor da MacroSector Consultores.

Já as vendas de minério de ferro totalizaram US$ 22,2 bilhões em 2019, 8,4% a mais do que em 2018, segundo a média diária. Com isso, o produto atingiu quase 10% da pauta de exportações. As vendas de petróleo, por sua vez, caíram 7,1%, para US$ 23,7 bilhões no ano passado, mas a fatia é idêntica à de 2018: 10,6% das exportações. O saldo comercial de petróleo e derivados ficou positivo em US$ 9,268 bilhões em 2019. Entre os manufaturados, o destaque negativo foram as exportações relacionadas ao setor automobilístico, duramente impactado pela crise na Argentina. As vendas de veículos de carga recuaram 35,3%, e a de automóveis de passageiros, 27,5%. Bens de consumo foram bastante penalizados pela desaceleração na América Latina, afirma Silveira.

Para José Augusto de Castro, presidente-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o ganho de participação de produtos básicos em contraste com o recuo dos manufaturados vai em uma direção equivocada. Isso é negativo. Mostra que não temos competitividade nos manufaturados. Não devemos deixar de exportar os básicos, mas precisamos aumentar a participação de manufaturados, afirma.

Para 2020, analistas dizem que os básicos podem ter ligeira perda de participação, mas nada que mude o quadro geral. O agronegócio deve continuar sustentando a balança, apesar da guerra comercial e da desaceleração global. O setor de carnes vai continuar beneficiado em receita pela escassez de proteína, principalmente na China, diz Silveira.

A grande incógnita, segundo Castro,

é sobre como a soja vai reagir a desdobramentos da guerra comercial entre EUA e China. Se a China for obrigada a comprar dos americanos, mesmo que eles não tenham condições sozinhos de abastecer o país, um aumento de preços beneficiaria num primeiro momento os EUA. Castro concorda com a afirmação do secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz, de que a corrente de comércio (soma de exportações e importações) é mais importante do que o saldo. O que gera atividade é a corrente, não o saldo. Quem está sustentando a corrente são os básicos, e aí vivemos ao sabor do mundo.

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