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Produção interna de insumos perde espaço para importados

Produção interna de insumos perde espaço para importados

Conjuntura: Bens intermediários do exterior ganham terreno dos locais

À crise que afeta a indústria brasileira de transformação tem feito com que a produção doméstica de bens intermediários perca espaço para insumos importados, especialmente aqueles com maior grau tecnológico, de acordo com estudo realizado por técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A fabricação de produtos intermediários (insumos para o segmento industrial) responde por cerca de 60% da indústria de transformação.

A análise parte de 2016, quando a perda de participação dos bens nacionais é mais notável, segundo os técnicos. De janeiro daquele ano até setembro de 2019, a produção doméstica de bens intermediários cresceu apenas 0,9%, enquanto o volume das importações dos mesmos produtos cresceu 50,3%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e chi Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), citados pelo Ipea. Ainda na mesma base de comparação, o Indicador Ipea de Consumo Aparente de bens industriais, um indicador da demanda interna, teve alta de 6,9% para o grupo econômico dos bens intermediãrios.

Dados desagregados pelos técnicos do Ipea mostram que, nesse período de quase três anos, enquanto a produção de insumos industriais elaborados aumentou 1,1%, as importações cresceram 60,2%, No caso de insumos para alimentos e bebidas elaborados, houve queda de 10,3% na produção e aumento de 2,2% na importação, já a produção brasileira de combustíveis e lubrificantes elaborados caiu 10,7%, para uma importação que subiu 127%.

Nos insumos básicos, a produção conseguiu andar à frente da importação nos segmentos de combustíveise lubrificantes ebens industriais, mas no segmento de alimentos e bebidas, enquanto a produção cresceu 1,7%, a importação saltou 37%. Nas peças e acessórios para bens de capital, a fabrica çãodoméstica cresce 2,2%, enquanto as importações saltam 62%. Na análise do período mais recente, nos últimos 12 meses, o retrato é o mesmo com pequenas alterações (Veja o quadro).

Os motivos para essa perda de espaço dos bens nacionais são tanto conjunturais, como a recessão, quanto estruturais, como a perda de densidade tecnológica da indústria e de sua participação na atividade, entre outros fatores, dizem os técnicos. A mesma análise, afirmam, se estende a toda a indústria de transformação, mas nos intermediários a escala é maior.

Eles destacam a já conhecida perda de participação relativa da indústria no Produto Interno Bruto (PIB), que cai desde 2004, ano em que atingiu o ponto mais alto (17,8%) na série histórica iniciada em 1996, do IBGE. Em 2018, atingiu 11,3% do PIB, menor ponto da série, `De modo geral, mesmo antes da crise econômica, o setor tem sofrido com problemas crônicos, associados, em grande medida, às condições de oferta, cujas conseqüências têm mantido a sua produtividade em níveis reduzidos, afetanclo negativamente seu poder de competição`, escrevem Helena Nobre de Oliveira, Leonardo Mello de Carvalho e Marcelo Nonnenberg, autores do estudo. Entre as condições citadas pelos técnicos, estão gargalos na infraestrutnra, excesso de burocracia e sistema trib utãrio complexo e oneroso.

A longa e profunda recessão dos anos 2014 a 2016 piorou esse quadro. `Os elevados níveis de ociosidade do capital, além de impedir uma recuperação mais rápida dos investimentos, podem ter gerado defasagens tecnológicas no parque industrial, cujas conseqüências podem significar um aumento da dependência por insumos importados`, escrevem os autores. Eventos pontuais também prejudicaram a produção de insumos, como o incêndio que paralisou as atividades da refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo, que reduziu a produção de derivados de petróleo e biocombustíveis entre os meses de julho e agosto de 2018.

O aumento dos insumos importados nos últimos anos também pode ser um indício de que o setor de bens intermediários passa por transformações estruturais. Se, por um lado, o crescimento da dependência por insumos importados com maior conteúdo tecnológico pode favorecer um aumento de produtividade, em outros, pode também eliminar segmentos na cadeia de produção da indústria.

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