Em resposta ao TSE, Bolsonaro não apresenta provas de fraudes nas eleições, mas reforça que urna precisa de 'efetiva auditagem'

Em resposta ao TSE, Bolsonaro não apresenta provas de fraudes nas eleições, mas reforça que urna precisa de 'efetiva auditagem'

16:39 - Em ofício foi dirigido ao corregedor-geral do TSE, ministro Luís Felipe Salomão, presidente cita 'contagem pública dos votos' como elemento necessário para dar 'legitimidade' ao processo eleitoral

Depois de fazer live denunciando fraudes na urna eletrônica e atacar publicamente o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) enviou oficio à Corte eleitoral em que não apresenta provas. Em tom formal, Bolsonaro alega que apenas está interessado em garantir a segurança do voto e afirma querer colaborar com a Justiça Eleitoral. O ofício, no entanto, reforça pontos do discurso que o presidente tem implementado: cita a necessidade de 'efetiva auditagem' da urna e defende a 'contagem pública dos votos'.

A resposta foi encaminhada ao TSE nesta terça-feira, um dia após o tribunal colocar o presidente da mira de duas apurações a respeito dos ataques feitos às urnas eletrônicas, e será anexada ao inquérito administrativo aberto pelo plenário do TSE.

As informações foram reveladas pela TV Globo, e O GLOBO também teve acesso. A resposta de Bolsonaro foi apresentada no procedimento administrativo aberto em 21 de junho pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Luis Felipe Salomão, para que autoridades públicas apresentem provas que comprovem ocorrências de fraude no sistema eletrônico votação.

O presidente afirma ao corregedor-geral do TSE, ministro Luís Felipe Salomão, que "premido pelo inarredável espirito público, republicano e democrático do qual é ápice o sufrágio universal", encaminhou a resposta "no intuito de "contribuir com essa nobre Justiça Eleitoral".

Bolsonaro menciona uma audiência pública realizada pelo TSE em 2018 sobre voto impresso, e afirma que "não sem razão que diversos projetos de lei e até mesmo propostas de emenda constitucional tramitaram e vem tramitando no Parlamento".

No documento, ele diz que "essa mesma preocupação é a que move as declarações reiteradas de diversas autoridades públicas, entre as quais, inclusive, algumas foram citadas por esse nobre Corregedor em sua missiva".

"Na realidade, é em nome da maior fiabilidade do sufrágio que há muito se tem defendido a necessidade de robustecer ainda mais o sistema eletrônico de votação com alguma medida fisica de auditagem imediata pelo eleitor, tão logo esse deposite o seu voto na urna e, se for o caso, mais tarde pela própria Justiça Eleitoral", disse.

Ainda segundo presidente, "não se está a atacar propriamente a segurança das urnas eletrônica, mas, sim, a necessidade de se viabilizar uma efetiva auditagem". Bolsonaro ainda menciona uma resolução editada pelo TSE em que foram regulamentados os procedimentos nas seções eleitorais que utilizariam o módulo impressor nas eleições de 2018. A resolução, no entanto, acabou sendo revogada depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou, em junho de 2018, a inconstitucionalidade da lei que aprovou o voto impresso.

"Comprometo-me com Vossa Excelência a continuar contribuindo com essa Corte no aprimoramento das estratégias de segurança envolvidas no processo de realização dos pleitos eleitorais, inclusive demonstrando que somente a contagem pública dos votos poderá dar legitimidade ao vencedor", disse. O presidente concluiu o documento encaminhado ao corregedor pedindo a "liberdade" de encaminhar o depoimento de um professor sobre supostas fragilidades nas urnas eletrônicas.

Nos últimos dias, autoridades e técnicos do TSE têm reiterado as explicações sobre a audibilidade da urna eletrônica como forma de rebater as acusações do presidente. No domingo, durante manifestação, Bolsonaro voltou a ameaçar a realização de eleições em 2022 caso o voto impresso não seja implementado.

Na última quinta-feira, durante uma live, Bolsonaro exibiu uma série de vídeos sobre supostas falhas no sistema eletrônico e repetiu as acusações de fraude, porém sem mostrar qualquer prova. Na última segunda-feira, por unanimidade, TSE abriu um inquérito administrativo para apurar os ataques sem provas que ele vem fazendo ao sistema eletrônico de votação, e pediu que ele seja investigado também no inquérito das fake news no STF.