Caminhoneiros argentinos bloqueiam exportação de milho pelo porto de Bahia Blanca

Caminhoneiros argentinos bloqueiam exportação de milho pelo porto de Bahia Blanca

Motoristas reivindicam tarifa fixa de frete

O porto de Bahia Blanca, no sul da Província argentina de Buenos Aires, permanece bloqueado, pelo sexto dia consecutivo, por um grupo de caminhoneiros que exigem tarifa fixa de frete. Segundo a imprensa local, as exportações de milhoestão paralisadas no porto.

O fluxo em Bahia Blacna aumentou 30% no último mês, segundo o jornal “La Nacion”, devido à seca no rio Paraná, que prejudica as operações nos portos do Gran Rosario.

Conforme o jornal, os manifestantes estão impedindo a entrada de caminhões para descarregamento nos navios. Os caminhoneiros também abriram as carretas com grãos, que se espalharam pelo porto.

“O impedimento da entrada de caminhões nos terminais de Bahia Blanca é absolutamente ilegal, e afeta o porto que está ajudando a exportar o que o Paraná não nos deixa devido à emergência hídrica. O governo provincial deve agir rapidamente para garantir a livre circulação ”, disse Gustavo Idígoras, presidente da Câmara da Indústria do Petróleo da República Argentina e do Centro Exportador de Cereais (Ciara-CEC), ao "La Nacion".

Apesar de haver espaço no porto de Bahía Blanca, “nenhum caminhoneiro quer carregar porque tem medo”, afirmou um produtor à reportagem.

Nova lei contraria motoristas
Além de uma tarifa fixa mínima - o que os caminhoneiros do Paraguai também estão pedindo -, os motoristas também pedem a suspensão de uma lei que regulamenta o peso e a potência dos caminhões que transportam mercadorias, e que está em vigor desde a última quinta-feira.

A legislação atual estabeleceu um cronograma para a retirada gradual de caminhões de baixa potência de circulação em uma tentativa de aumentar a segurança nas estradas, afirma a consultoria AgriCensus.

A lei estabelece que podem circular veículos com relação potência/peso entre 3,25 e 4,25, com até 45 toneladas de peso bruto combinado, até 3 de dezembro de 2022. Acontece que os caminhões mais antigos pesam menos e permitem um maior volume de carga a ser movimentado, afirma a agência.

“Eles querem continuar usando os caminhões antigos porque, caso contrário, muitos ficarão de fora do sistema - e porque, além disso, podem carregar mais. Talvez um caminhão mais antigo possa movimentar 33 toneladas, contra 28 de um novo", diz o produtor, que não foi identificado.

Pesquisa da Agricensus indica que, normalmente, 68% do total de exportações de milho são feitas pelo hub Up River, mas a vazante mudou as operações e os portos do Atlântico, como Bahia Blanca e Necochea, estão com trabalho extra. A participação do Up River caiu para 55% de todos os carregamentos.

Segundo dados da Bolsa de Cereais da Bahía Blanca, em 2020 o volume exportado de cereais, oleaginosas e derivados pelo porto chegou a 9,61 milhões de toneladas, queda 18,5% na comparação com 2019. O milho respondeu por 54,2% do total dos embarques do porto.