Justiça argentina abre investigação contra Macri por suposto envio de armas à Bolívia

Justiça argentina abre investigação contra Macri por suposto envio de armas à Bolívia

17:02 - Alberto Fernández acusa antecessor de mandar material para ajudar país vizinho a reprimir apoiadores de Evo Morales

O Ministério Público da Argentina abriu nesta sexta (16) uma investigação para apurar um suposto envio de armas e munição feito pela gestão do então presidente Mauricio Macri à Bolívia em 2019 —o material teria sido usado para reprimir apoiadores de Evo Morales, que tinha acabado de renunciar à Presidência.

A remessa teria ocorrido logo após Jeanine Añez tomar posse como presidente interina da Bolívia, em novembro de 2019, no lugar de Evo. Sua chegada ao poder, porém, foi cercada de polêmicas. De oposição, ela era a segunda vice do Senado, mas acabou alçada ao comando do país depois de Evo e a cúpula do Congresso renunciarem em meio a denúncias de fraude na eleição e manifestações contra o governo.

Aliados do líder indígena e alguns analistas, entretanto, apontaram na ocasião que a medida não seguia a regra de sucessão prevista na Constituição e, por isso, consideraram que ela havia aplicado um golpe.

Por isso, milhares de pessoas foram às ruas protestar contra o novo governo, que respondeu reprimindo os atos de maneira violenta. A Justiça argentina agora quer saber se Macri enviou armas e munições para serem usadas nessa repressão. O atual presidente argentino, Alberto Fernández, tem feito coro às acusações e chegou, inclusive, a pedir desculpas ao povo boliviano pelo suposto envio do material.

Entre os investigados estão o próprio ex-líder argentino e dois de seus ministros, Patrícia Bullrich (Segurança) e Oscar Aguad (Defesa) —todos negam envolvimento no caso.