Brasil faz contrapeso na redução da classe média causada pela pandemia na América Latina, diz Banco Mundial

Brasil faz contrapeso na redução da classe média causada pela pandemia na América Latina, diz Banco Mundial

24/06 - 15:04 - Se o país não tivesse implementado suas medidas de mitigação, cerca de 20 milhões de pessoas teriam perdido a posição na classe social em 2020, segundo relatório da instituição

Devido à pandemia do coronavírus, a classe média encolheu na maioria dos países latino-americanos e caribenhos e milhões de pessoas ficaram vulneráveis ou na pobreza, revertendo décadas de progresso social na região, afirmou nesta quinta-feira o Banco Mundial.

Cerca de 4,7 milhões de latino-americanos deixaram de pertencer à classe média e caíram na classe social em 2020, mas o impacto seria ainda mais forte, com um total de 20 milhões de pessoas perdendo seu lugar na classe média, se o Brasil não tivesse implementado uma amplo programa temporário de proteção social que beneficiou milhões de brasileiros, de acordo com o relatório “A lenta ascensão e o súbito declínio
da classe média na América Latina e no Caribe”, do Banco Mundial.

A situação é semelhante com a pobreza. Em toda a região, espera-se que a pobreza diminua marginalmente de 22% em 2019 para 21,8% em 2020, representando 400.000 pessoas menos pobres.

Se o Brasil não tivesse implementado suas medidas de mitigação, cerca de 28 milhões de pessoas teriam aderido à pobreza em 2020, segundo relatório apresentado em conferência virtual.

“O revés das conquistas sociais que custam tanto corre o risco de se tornarem permanentes, a menos que reformas enérgicas sejam realizadas”, disse Carlos Felipe Jaramillo, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e Caribe. “A ajuda emergencial por meio de transferências de dinheiro que ajudaram a mitigar o impacto da pandemia não será sustentável por muito tempo”, disse o executivo, após advertir que os governos devem avançar com políticas firmes de recuperação que incentivem um crescimento mais sustentável e inclusivo.

A pandemia tornou a região um dos epicentros do mundo e a América Latina e o Caribe relataram mais de 30 milhões de casos de coronavírus e mais de 960.000 mortes até maio de 2021, de acordo com a Universidade Johns Hopkins. Entre os países mais afetados estão Brasil, Colômbia e Argentina.

O impacto econômico também foi devastador em toda a região, já que muitos países entraram na pandemia com baixo potencial de crescimento após anos de estagnação.

A economia regional contraiu-se para os níveis históricos mais baixos em 2020, com queda de 7%, de acordo com informações do Fundo Monetário Internacional.

Para este ano, o crescimento do Produto Interno Bruto regional pode ser de 5,2%, segundo estimativas do Banco Mundial.

A agência alertou no relatório que “é provável que a crise de 2020 reverta em pouco tempo muitas das conquistas sociais que levaram décadas para se materializar”.

Nas últimas duas décadas, por exemplo, o número de pessoas em situação de pobreza caiu quase pela metade e a classe média aumentou. A desigualdade de renda também caiu.

Em 2019, um grupo de cerca de 38% da população da América Latina, aproximadamente 230 milhões de pessoas, pertencia à classe média, mas o Banco Mundial estima que essa fatia tenha diminuído para 37,3% em 2020, ou seja, cerca de 4,7 milhões de pessoas a menos.

O programa de transferência implementado pelo Brasil beneficiou cerca de 67 milhões de pessoas e tirou milhões da pobreza.

O Banco Mundial observou, entretanto, que embora os programas de proteção social ajudassem a conter o impacto negativo no curto prazo, a pobreza poderia crescer novamente em 2021 se não houver uma recuperação acelerada e inclusiva.

Outro dos efeitos da pandemia apontados pelo banco é a persistência da desigualdade na região.

“Aqueles que estavam pior desde o início provavelmente serão os mais afetados, e isso agravará a desigualdade de renda em uma região já muito desigual”, disse Ximena Del Carpio, gerente da Prática de Pobreza e Equidade do Banco Mundial.