Produtores brasileiros e americanos têm ganho recorde com alta de preços

Produtores brasileiros e americanos têm ganho recorde com alta de preços

Saber até quando os valores vão continuar atraentes é grande desafio para o setor

Os produtores agrícolas nunca tiveram receitas tão elevadas como as que estão obtendo atualmente. É o que mostram dados do Brasil e dos EUA, dois dos principais produtores de alimentos.

No Brasil, além de volume maior de produção, os agricultores recebem preços recordes, principalmente os que fizeram uma antecipação menor das vendas.

Quanto maior foi o percentual de vendas antecipadas, menor é a rentabilidade, uma vez que os preços acordados anteriormente estavam em patamares inferiores aos atuais.

Nos EUA, as receitas brutas atingem o patamar de 2012, período de seca e de grande valorização das commodities.

Quando se trata de agricultura, contudo, nunca se pode contar os resultados esperados como definitivos. A situação dos americanos, porém, depois de alguns anos de penalização, será bem diferente no período 2021/22.

Se confirmados produtividade e preços médios esperados, as receitas com a soja na safra 2021/22 serão 62% superiores às de 2019/20, por hectare. Já as de milho sobem 31% no período, conforme dados do Departamento de Economia Agrícola do Farmdoc, que congrega um grupo de pesquisadores voltados para o setor agropecuário na Universidade de Illinois.

Para os americanos, é um bom impulso financeiro nas fazendas desse estado, importante produtor do Meio-Oeste. Para a concretização dessa liquidez, porém, são necessários boa produtividade e preços elevados, como os estimados pelo Usda (Departamento de Agricultura dos EUA) na mais recente avaliação de oferta e demanda do setor.

Os pesquisadores do Farmdoc calculam que uma fazenda com alta produtividade, e que obtenha 228 sacas de milho por hectare, a um preço estimado de US$ 5,70 por bushel pelo Usda, terá receita bruta de US$ 3.057.

Esta será a maior já recebida pelos produtores, e ela virá apenas das lavouras, sem a necessidade de complementação de pagamentos de outras fontes governamentais, como normalmente ocorre.
Em 2019, as receitas somaram US$ 2.207, mas 15% desse valor veio de complementação de programas especiais.

No caso da soja, uma produtividade de 76,2 sacas por hectare na safra 2021/22 e um valor médio de US$ 13,85 por bushel permitirão receitas brutas de US$ 2.328, em Illinois. Em 2019, foram apenas US$ 1.636, sendo que 17% deste valor veio de complementações de programas especiais.

Os cálculos da safra 2021/22 se referem à previsão de preços médios a serem recebidos pelos produtores no período de comercialização de setembro deste ano a agosto de 2022.

Os preços agrícolas atuais no Brasil também são muito atraentes, mas os ganhos variam de estado para estado, e até de produtor para produtor.

Os produtores mato-grossenses fizeram uma antecipação de vendas em um percentual superior ao dos paranaenses. Estes, consequentemente, terão um rendimento melhor porque vão conseguir um preço médio mais elevado.

Na safra 2020/21, de uma forma geral, os produtores brasileiros tiveram custos de produção quase estáveis, em relação aos da safra anterior. Os preços foram melhores, mas em algumas regiões a perda de produtividade foi mais intensa. Mesmo assim, os produtores deverão ter uma das melhores rentabilidades da história para o setor.

Os produtores de soja de Mato Grosso, líder nacional, deverão obter preços médios, em 2021, 35% superiores aos de 2020. No Paraná, esse aumento poderá atingir 52%.

Para a safra 2021/22, os produtores brasileiros estão mais cautelosos com as vendas antecipadas. Com isso, deverão obter um preço médio melhor, desde que os valores se mantenham elevados.

A próxima safra, porém, terá um custo maior, vindo principalmente dos fertilizantes. A estratégia de venda antecipada e a produtividade vão definir a rentabilidade. Preços elevados, porém, poderão manter as receitas acima das atuais.

Para a consolidação de bons resultados, Brasil e EUA dependem da China, a maior fonte importadora. Conforme dados divulgados nesta segunda (7) pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior), o Brasil exportou o correspondente a US$ 42 bilhões de janeiro a maio em alimentos, 23% a mais do que em igual período do ano passado. Esses valores não incluem celulose, algodão, madeira e outros.

Já os americanos, também impulsionados pela China, deverão ter exportações de US$ 164 bilhões em 2021 no agronegócio, um recorde.

O grande desafio para os produtores é saber até quando esses preços vão continuar atraentes. Nos próximos anos, os gastos com produção serão maiores, e os arrendamentos e valores da terra, mais elevados.

Esse ajuste poderá trazer momentos difíceis para os que não têm uma boa gestão.