O arroz com feijão e Bolsonaro

O arroz com feijão e Bolsonaro

Dólar, exportação, auxílio emergenciale problemas em certos mercados explicam carestía

O dólar subiu, o Brasil está exportundo muito grão, houve tropeços nos mercados de ai gunsprodutose, novidade da calamidade, pode ser que o povo miúdo esteja comendo mais com o dinheiro auxílio emergencial. Mas há ruídos de q ue talvez esteja acontecendo alguma coisa esquisita em alguns mercados, de soja, milhoear roz em particular.

Gente do agronegócio conta que há criadores e indústrias importando grão a preço mais alto do que o das exportações. Sim,podem ocorrer turbulên cias em alguns cantos do país. Mas, em tese e em geral, nâo faz sentidoquese exporteapreço menor do que seria possível obter aqui dentro. No entanto, é gente do ramo que apotitaoptobiema, reclamandoda inexistência de um regulador elicuz de estoques. Jair Bolsonaro, que é do ra moda demagogia, sentiu apu nela esquentando e tenra tirar o corpo fora com uma mistura de ignorância com oportunismo. Pede `patriotismo`aos comerciantes (como pediu ao mercado /inunceiroj e que os supermercados vendam comida a preço de custo. Nada dis soluncíon u no que interessa, mas a propaganda pode evitar algum desgaste político.

Inflação da comida rodando a mais de 9% ao ano costuma lascar um pouco da popularidade de governa ntes. A `inflação do tomate`(dosali men tos em geral, na verdade) em março de 2013 |òi um dos motivos do mau humor que contribuiria para o clima ruim que explodiria en fim em junho de 2013. Em abril do uno passado, um motivo du irritação com Bolsonaro pode ter sido a inflação de alimentos rodando também a 9%. No entanto, o preço da comida sobe a essa velocidade pratica mente desde maio. O prestígio de Bolsonaro cresceu desde então. Ainda não há dados suficientespara estimar a causa do au me nto da co mida, q ue se con centra em arroz, em alta recorde de 15 anos, feijão, leite, soja, aves e ovos, na farinha de trigo e, mais recentemente, na batata. A alta do dólar deve ser um motivo forte afeta qualquer produto `comercializável` no exterior A inflação geral dos comercializáveis é quase o dobro da inflação geral. Em 40 anos, a inflação no atacado e nova rejoja mais foi tão díspar. Há problemas em alguns mercados. A área plantada do urro2 diminuiu, por causa de preços ruins no passado. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura da USP, a Esalq, os produtores de arroz ainda seguram estoques a fim de esperar preço ainda melhor o que acontece também com o milho. Ademanda mundial está/or te. A quuntidade de soja ex portada pelo Brasil neste ano até agosto oi quase 34% maior que a do ano passado; a de arroz, 163%.

No caso de laticínios, os produtores não fizeram estoques bastantesemabril, comoéde costume, diz analise do Cepea Dada a pandemia, a perspectiva e ra de consumo reduzido. Não foi o que aconteceu.

O faturamento nos supermercados era no início de setembro 18% maior que em fevereiro, imediatamente antes do choque do vírus, peios dados das vendas com cartões, da Cielo. Parte dissoloi substituição de alimentos que deixaram de ser consumidos fora de casa. Parte pode ter sido a umen to de consumo das pessoas que mal comiam ou comiam mal antes do auxílio de R$600.

Em suma, a ca réstia parece se deverá conjunção de mercado mundial quente, real desvafo rizado, problemas técnicos em aig uns mercadose aumentode consumo doméstico. É terrível e espan toso que o/ato de opovo comer umpouco mais tenha efeito na inflação dealimentos. vi nicius.torre s(jpgf upofolha.com. br

Vinícius Torres Freire Jornalista, foi secretário de Redação da Folha. É mestre em administração pública pela Universidade Harvard (EUA)