Bolsonaro volta defender nas redes sociais que ''o Brasil não pode parar''

Bolsonaro volta defender nas redes sociais que ''o Brasil não pode parar''

25/03 - 12:00 - No post, o presidente divulgou vídeo com uma foto em que aparece ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump

O presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer, nesta quarta-feira (25/3), que o Brasil não pode parar. Por meio do Twitter, ele afirmou ser a favor da reabertura de comércios. Nessa terça-feira (24/3), durante pronunciamento em rede nacional, ele defendeu também o fim do confinamento, que as escolas voltem a abrir as portas e ainda culpou a mídia por ‘histeria’.

“38 milhões de autônomos já foram atingidos. Se as empresas não produzirem não pagarão salários. Se a economia colapsar os servidores também não receberão. Devemos abrir o comércio e tudo fazer para preservar a saúde dos idosos e portadores de comorbidades”, escreveu o presidente.

A postagem acompanha um vídeo que fala sobre as próximas medidas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que ele iria reabrir o país. Em uma outra publicação, Bolsonaro compartilhou também um vídeo de um homem no Japão, na qual ele mostra que não há confinamento e que as lojas funcionam mesmo diante da pandemia de Covid-19.

“Dá uma olhada na cara de pânico da população. Só que não. Aqui corre tudo normal. Comércio aberto, shopping aberto, fábrica, meios de transporte funcionando, só escolas paradas. Apesar de número pequeno de mortalidade, tratado como gripe normal, sem pânico. Governo se recusou a decretar estado de emergência e a população está tranquila e curtindo esse belo dia de primavera e o aparecimento das flores de cerejeira e eu fazendo compra”, diz o individuo do vídeo.

Bolsonaro escreveu a seguinte legenda: “O vírus no Japão.Se a política de isolamento continuar teremos o caos e o vírus juntos”.

Antes de deixar o Palácio da Alvorada nesta manhã, o chefe do Executivo disse ainda que se a economia colapsar, não haverá verba para pagar o servidor público. “O caos está aí, na nossa cara. O caos está aí. Detalhe, se tivermos problemas, que poderemos ter, os mais variados no Brasil como saques a supermercados, entre outras coisa, o vírus continuará entre nós também. Não vai embora o vírus. Vamos ficar com o caos e com o vírus juntos. O que precisa ser feito? Botar esse povo para trabalhar. Preservar os idosos, preservar aqueles que têm problema de saúde. Mais nada além disso, caso contrário, o que aconteceu no Chile, vai ser fichinha perto do que pode acontecer no Brasil. Todos nós pagaremos um preço que levará anos para ser pago, se é que o Brasil possa ainda sair da normalidade democrática que vocês tanto defendem. Ninguém sabe o que pode acontecer no Brasil”, ressaltou.

Bolsonaro citou Trump e disse que estão alinhados. “Ontem ouvi um relato das palavras do presidente Trump dos Estados Unidos, está numa linha semelhante à minha. Obviamente, um país bem mais poderoso do que nós, é um país que tem uma cultura diferente,uma educação diferente da nossa e pelo que tudo indica, ele vai abrir a partir de hoje, reabrir, os postos de trabalho. Se nós colocarmos no nosso colo o problema do vírus, que esse vírus inclusive, eu queria que não matasse ninguém, mas outros vírus mataram muito mais do que esse. Não teve essa comoção toda. Se ele não fizer isso lá e nós não fizermos aqui, será o caos. Será o fim dos Estados Unidos e do Brasil”.

Bolsonaro indicou ainda que Trump ‘abriria’ os EUA ainda hoje. No entanto, o plano do líder americano é fazer a reabertura na Páscoa, dia 12 de abril. Questionado se estaria tomando uma medida ainda mais radical do que a que o Trump ao defender a normalização do comércio ainda neste mês, Bolsonaro justificou dizendo que o vírus se espalhou nos países em datas diferentes.

Críticas
A posição de Bolsonaro, em contrariar as determinações das autoridades sanitárias para a quarentena, recebeu muitas críticas, inclusive dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) que consideraram o pronunciamento do mandatário de equivocado.

"O país precisa de uma liderança séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população. Consideramos grave a posição externada pelo presidente da República, disse Alcolumbre.