Cota de trigo pode facilitar abertura americana à carne

Cota de trigo pode facilitar abertura americana à carne

A carne bovina in natura do Brasil está barrada nos EUA há mais de dois anos, por causa da detecção de carregamentos do produto com abscessos (inflamações). A decisão de manter o veto foi resultado de uma inspeção técnica realizada pelo Departamento cie Agricultura dosEUA(USDA)em unidades brasileiras cujo relatório foi entregue ao Ministério da Agricultura na quinta-feira da semana passada.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou ontem ã imprensa que ficou `um pouco decepcionada` com a negativa dos Estados Unidos em reabrir o mercado para a carne bovina in natura brasileira. Ela disse, inclusive, que avaliaria a necessidade de pedir uma reunião para tratar do assunto com o secretário de Agricultura americano, Sonny Perdue, em viagem que fará aos EUA no próximo dia 17.

Mas uma reunião da Secretaria- Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), realizada durante a noite de ontem, pode fazer Tereza sorrir mais aliviada. A expectativa era que no encontro, que não havia sido concluído até o fechamento desta edição, o colegiaclo implementasse a cota para a importação de 750 mil toneladas de trigo de países de fora do Mercosul sem tarifa.

Por menos que o governo quisesse admitir que a reabertura dos EUA à carne in natura estivesse esbarrando na demora de Brasília em implementar a cota, que deverá beneficiar sobretudo os americanos e foi uma promessa do presidente jair Bolsonaro a Donald Trump, o fato é que, agora, o caminho pode ficar mais fácil se a implementação da cota se confirmar.

De todo modo, Washington ainda quer respostas sobre falhas identificadas no sistema brasileiro de controle sanitário da carne bovina e ainda vaio enviar outra missão ao país para checar se os problemas foram solucionados.

A carne bovina in natura do Brasil está barrada nos EUA há mais de dois anos, por causa da detecção de carregamentos do produto com abscessos (inflamações). A decisão de manter o veto foi resultado de uma inspeção técnica realizada pelo Departamento cie Agricultura dosEUA(USDA)em unidades brasileiras cujo relatório foi entregue ao Ministério da Agricultura na quinta-feira da semana passada.

`Após o Brasil apresentar todas as medidas corretivas para as conclusões da auditoria e o I SIS [ Serviço de Segurança e Inspeção de Alimentos americano) conferir e determinar que essas medidas são adequadas, o FS1S realizará outra auditoria local de verificação do sistema brasileiro de inspeção de carne. O FSIS planeja realizar essa auditoria de acompanhamento o mais rápido possível, assim que o Ministério da Agricultura do Brasil apresentar as medidas corretivas e comentários ao Rascunho do Relatório Final de Auditoria do FSIS`, informou, cm comunicado, a emba ixada dos EUA em B rasília.

`Fiquei um pouco decepcionada, achei que tínhamos cumprido todas as etapas. Mas isso é mercado internacional. É assim que funciona. Manda quem está comprando. Vamos ver o que poder ser feito e revisto`, afirmou Tereza Cristina, após evento cm Brasília pela manhã. `Eles querem rever alguns pontos. Como eu já estava com uma viagem marcada para os Estados Unidos, vou ver exatamente se é necessário ou não ter uma conversa com o secretário de Agricultura americano para a gente ver isso. Os EUA são um excelente mercado, vamos reabrir sim. Vamos ver o que está precisando do dever de casa, o que faltou`, disse.

À noite, a ministra ainda não havia batido o martelo sobre essa reunião, mas com a possível decisão da Camex, fontes do setor acreditam que o tom da conversa, se de fato ela acontecer, será bem mais amigável.

Em comunicado, a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) defendeu a continuidade das negociações com os EUA sobre a carne bovina, embora a ministra tenha mencionado que o atraso na reabertura não significa uma `catástrofe`, porque hoje o Brasil vive uma `euforia nas exportações de carnes para a China`. Em outubro, lembrou a Acri mat, as exportações de carne bovina in natura alcançaram 160,1 mil toneladas, um novo recorde mensal. A receita atingiu USS 716,1 milhões.