Mourão diz que Brasil pode aderir à Nova Rota da Seda

Mourão diz que Brasil pode aderir à Nova Rota da Seda

Em visita à China, vice-presidente mostra que Brasil está aberto para receber investimentos em infraestrutura

Na Bolsade Valores de Xangai, nesta segunda-feira (ao), durante seminário de promoção do mercado financeiro brasileiro, o vicepresidente, general Hamilton Mourão, disse que o `Brasil vive um momento de transformações significativas`.

Ele destacou a importância das reformas, em especial a fiscal, bem como o empenho do atual governo em realizar concessõespúblicasnas áreas de infraestrutura. O vice-presidente sinalizou que o Brasil pode aderir à Nova Rota daSeda, iniciativa bilionária do governoXijinping para retomar o espíritode trocas comerciais do antigo trajeto que unia Oriente e Oci dente na Idade Média.

Megaprojeto da área de in fraestrutura, a Nova Rota da Sede vai interligarportos, ferrovias, estradas, aeroportose telecomunicações para agilizar comércio chinês com o resto do mundo. Na Bolsa, Mourão participou da cerimônia de assinatura de um convênio entre a B3, a Bolsa brasileira, e a Bolsa de Xangai para o lançamento de um ETF, sigla para Exchange Traded Fund, um tipo de fundo de investimento atrelado a índices neste caso ao Ibovespa, principal índice acionário do Brasil.

Mourão fez sua apresentação em inglês, postura que foge à regra adotada pela maioria dos executivos de alto escalão que visita a Bolsa chinesa. A decisão de dispensar tradução simultânea para a platéia, formada por dezenas de empresários, executivos e membros da delegação brasileira, foi interpretada como esforço p ara most rar dinainis mo e desenvoltura em uma viagem oficial. A visita busca melhorar as relações do Brasil com a China e atrair investidores.

Mourão também visitou a sede do NDB (Novo Banco de Desenvolvimento), institui ção financeira do B ri cs (sigla para o bloco dos emergentes que reúne Brasil, Rússia, índia, China e África do Sul). Ele teve uma breve reunião como presidente do NDB. E m entrev ista à Folh a, Jo sé Buainain Sarquis, vice-presidente da instituição, afirmou que,caso oBrasíl faça sua ade ¦ sãoà Nova Rotada Seda, haverá uma maior integração entr e os países-membros do Brics. O NDB deverá aceitar no vos integrantes até açu e está `aberto a todos os membros da ONU`. `O banco tem recebido manifestações de interessados de diversos países e dará os primeiros passos concretosrumo à expansão`.

Segundo Sarquis, os integrantes do Brics concentram 40% da demanda de infraestrutura do mundo. Neste ano, o NDB aprovou US$ 621 milhões (R$ 2,5 bilhões) em projetos brasileiros de financiamento do setor público e privado. `O Brasil ê o país que mais recebeu desembolsos efetivos`, afirmou. Um escritório da intuição em São Paulo deverá começar a operar até o fim deste ano.

Empréstimos em yuan já são realizados, mas o banco irá oferecer financiamento em reais e em todas as moedas locais dospaíses- membros. `É uma vantagem para promover o investimento em in fraestrutura nacionalmente`, disse Sarquis. Investimentos sustentáveis, como energia renovável e saneamento, são o foco dos projetos aprovados. `Uma das maiorias dificuldades é a distância, a ausência de capacidade de ação local 11a prospeeção de projetos e o fato de o Brasil ter restrições de captação no sistema público.

O banco está aprendendo a operar no Brasil`, disse. Mourão viajou para Pequim ainda nesta segunda, logo depois de um encontro confirmado de última hora com o prefeito de Xangai, Ying Yong. A viagem relâmpago para a segunda maior cidade da China foi feita de avião. O vice-presidente não testou um dos trens de passageiros mais rápidos do mundo que conecta em 4 horas os mais de 1.300 quilômetros entre Xangai e a capital. Mourão chegouâ China no domingo (19) e fez um passeio pela Cidade Proibida na companhia do embaixador do Brasil na China, Paulo Estivallet de Mesquita.

Mourão irá entregar uma carta dejairBolsonaro (PSL) a Xi Jínping e presidir a plenária da Cosban (Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Coneertação e Cooperação).